A participação do Ministério Público (MP) em investigações de crimes complexos, como corrupção e lavagem de dinheiro, é essencial. A opinião é do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Gilson Dipp, 59 anos, que esteve em Londrina participando de um Encontro Regional do MP. O ministro salientou que a história recente do Brasil mostra que os crimes de improbidade administrativa e corrupção só foram descobertos com a participação do MP. ''O MP tem prerrogativas que a polícia não tem por estar submetida ao Executivo. Ele é mais isento e tem autonomia para investigar'', observou Dipp.
De acordo com Dipp, está havendo uma interpretação errada em relação à proibição de investigação por parte do MP. ''A decisão do Supremo, tão contestada, não diz que o MP não pode investigar, mas que não pode produzir inquérito policial'', defendeu. O ministro observou que parte da reação contrária às investigações feitas pela instituição partem do excesso cometido por alguns promotores. ''Algum interesse maior foi contrariado. Defendo que a investigação precisa ter alguns parâmetros, como tempo determinado para conclusão'', argumentou.
O papel da imprensa em divulgar investigações em andamento é visto com reserva por Dipp. ''A imprensa tem um grande papel de sensibilizar a sociedade e apressar a reação das autoridades competentes, mas às vezes prejudica a investigação'', ponderou. Ele destacou que é necessário estabelecer um ponto de equilíbrio com a imprensa sabendo de suas responsabilidades e o MP não se sensibilizando só com casos que tenham repercussão na mídia. ''Têm promotores que só se preocupam com casos que saem na imprensa'', criticou o ministro.
Para ele, a elucidação dos casos de crimes complexos dependem de uma cooperação entre entidades como Receita Federal, Polícia Federal e MP. ''As informações precisam ser compartilhadas'', completou.
Dipp é representante da Justiça Federal no Gabinete de Gestão Integrada de Prevenção ao Combate à Lavagem de Dinheiro do Ministério da Justiça. A discussão sobre a legalidade da investigação feita pelo MP entrou em pauta devido ao recurso impetrado pelo deputado licenciado, Remy Trinta (PL/MA), no Supremo Tribunal Federal. Ele é acusado de desviar verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) e argumenta que a acusação se baseia exclusivamente em dados colhidos pelo MP, que não teria atribuição para investigar. O recurso deve ser julgado em setembro.

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