O ministro do Exército, general Zenildo Lucena, passou ontem o cargo ao seu chefe do Estado-Maior, general Gleuber Vieira, atendendo à determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, que pretende iniciar logo a instalação do Ministério da Defesa. O ministro da Aeronáutica, Lélio Lobo, transmite o cargo na segunda-feira para o brigadeiro Walter Brouer. Resta apenas o presidente e o novo ministro da Defesa, Élcio Álvares, decidirem quem será o sucessor do ministro da Marinha, Mauro César Pereira. Os dois nomes cotados são dos almirantes Sérgio Chagasteles e Carlos Edmundo Lacerda Freire.
A transição dos ministérios militares para a Defesa efetivamente já começou. O senador Élcio Álvares já dispõe de uma sala para trabalhar no Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) onde a transição com os Ministérios será articulada. Desde a última terça-feira o senador está percorrendo os ministérios militares para conversar sobre a transição.
Ontem ele teve uma nova rodada de encontros e, no final do dia, encontrou-se com o presidente para lhe relatar o avanço nas negociações.
A idéia do senador é de conversar o máximo possível com os ministros atuais e futuros comandantes de Força, para evitar que permaneça qualquer aresta. Os militares, particularmente da Marinha, têm se queixado da pressa com que, nos últimos dias, se desencadeou a transição e a transformação. Eles preferiam que o assunto mais mais discutido, mais estudado e que tudo tivesse sido resolvido com calma e antecedência.
Estado-maior Além de decidir o nome do ministro interino da Marinha, falta definir também quem será o chefe do Estado-Maior da Armada. Este cargo, que absorverá muitas das funções desenvolvidas pelo EMFA, terá uma importância enorme na nova estrutura do Ministério da Defesa. O chefe do Estado-Maior da Armada será um oficial-general quatro estrelas da ativa, que ocupará o cargo em sistema de rodízio, como acontece atualmente no EMFA. Embora na hierarquia ele seja um auxiliar do ministro da Defesa, sem ser hierarquicamente superior aos comandantes militares, esse oficial que, pelo rodízio será da Aeronáutica, será o substituto oficial de Élcio Álvares.
Ontem, ao se despedir do serviço ativo, o ministro Zenildo Lucena, que esteve por seis anos no cargo, afirmou que ‘‘o Exército, atento às prioridades da sociedade a que serve, não pode ser mais poderoso do que a Nação’’. ‘‘Países que falharam em entender esse ensinamento acabaram por nos proporcionar trágicas lições’’, observou ele, em emocionado discurso. O ministro lembrou que o Exército manteve-se afastado da política-partidária e que o relacionamento com o Legislativo e o Judiciário contribuiu para solidificar a democracia e o estado de direito no País.
‘‘No momento em que se cria o Ministério da Defesa, destacou ele, reafirmo a disposição da Força em contribuir para a instalação da nova pasta. O general Zenildo ressaltou que as dificuldades nessa transição são apenas ‘‘burocrática e administrativa’’. ‘‘Não é política’’, garantiu ele.
Cauteloso, o novo ministro, general Gleuber, limitou-se a declarar que ‘‘a prudência diz que quem chega, começa observando, para depois dizer o que fazer’’. Ele assegurou ainda que o relacionamento com o ministro da Defesa será o melhor possível, ‘‘como não poderia deixar de ser’’.

mockup