O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que acompanhou o presidente Fernando Henrique ao Rio, apresentou ontem três pontos de uma proposta para encerrar o impasse em Buritis. Segundo ele, se o MST desistir das ameaças de invadir a fazenda dos filhos do presidente e dos prédios públicos, poderá ser feita uma reunião do movimento com a superintendência local do Incra, para discutir reinvidicações locais.
‘‘Quando estiverem juntos, marcarei uma audiência com a direção nacional do movimento’’, disse. Jungmann fez um apelo ao bom senso e reafirmou a disposição do governo de negociar, desde que o MST ‘‘recue de sua atual posição’’. ‘‘Dinheiro hᒒ, afirmou.
Para o ministro, a invasão da fazenda do Pontal ‘‘é uma questão da Justiça’’. ‘‘O pedido de reintegração de posse deverá ser feito pelo proprietário’’, declarou. Ele disse que não existe endurecimento com os sem-terra. ‘‘É apenas a observância da lei’’, destacou.
FHC voltou a afirmar ontem que terra invadida não será vistoriada por dois anos, como é estabelecido em lei, e descartou a hipótese de conversar diretamente com o movimento. ‘‘Não sou negociador com os sem-terra, sou presidente da República’’, declarou. ‘‘O que reafirmo aqui, porque o Brasil precisa disso, é que a ordem democrática é um valor, é um símbolo.’’ Ele disse ainda que o presidente ‘‘simboliza (a ordem democrática) porque foi eleito’’.
O presidente repudiou insinuações da oposição de que o valor da fazenda em Buritis teria sido subfaturado, para fugir ao pagamento de impostos. ‘‘Isso é mentira, não vou nem entrar nisso’’, afirmou. ‘‘Eu acho isso um desrespeito, sinceramente, até a sua pergunta’’, disse ao jornalista. (A.E.)

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