Ministro diz que sai se política econômica mudar
Agência Estado
De Brasília
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse em jantar com 23 senadores, na terça-feira, que deixará o cargo se tiver que adotar medidas que comprometam a manutenção da estabilidade. Se me disserem para fazer uma bolha econômica por dois ou três anos para desenvolver o País, não contem comigo, afirmou o ministro durante jantar na casa do presidente da Comissão de Assuntos Econômico (CAE), senador Ney Suassuna (PMDB-PB).
De acordo com os senadores, o ministro insistiu em um programa econômico consistente, mesmo que tenha que recorrer a medidas impopulares. Nós sabemos o que ocorre quando se procura um crescimento apressado, argumentou Malan. Aí, se quiserem isso, é com o fazedor de bolhas, não comigo.
Apesar de se considerar um crítico do programa econômico do governo, o senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) elogiou a colocação do ministro. Gostei dele, afirmou. É um homem admirável pela sua honradez e firmeza. Para Saturnino, o recado de Malan teve um rumo certo: Ele quis dar um aviso aos chamados desenvolvimentistas do PSDB, disse. O senador Jefferson Péres (PDT-AM), também do bloco da oposição, concordou com a posição do ministro da Fazenda, embora reclame a adoção de uma política compensatória para diminuir as dificuldades da população carente.
Péres saiu do jantar convencido de que tanto Pedro Malan como o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, também presente, deixarão o governo se forem compelidos a enveredarem por um desenvolvimento falacioso, antes do ajuste fiscal. O senador oposicionista se disse preocupado diante dessa perspectiva. Se eles saírem, não sei como será o day after, porque com eles (Malan e Fraga) não haverá crescimento fácil e inconsistente, justificou. Ele disse que é contra a falta de política pública do governo, mas que apóia integralmente as metas macroeconômicas que estão em andamento.





