Brasília - O ministro do gabinete de Segurança Institucional, Armando Félix, afirmou ontem ao líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), que são falsos os documentos que serviram de base para a denúncia de um suposto envolvimento do PT com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) - inclusive com a transferência de R$ 5 milhões para candidatos petistas.
A revista ''Veja'' desta semana publicou uma reportagem sugerindo que, em 2002, as Farc teriam oferecido financiamento para a campanha de alguns candidatos petistas.
Na conversa com o senador, Félix teria mostrado que o documento apresentado pela reportagem não respeita as regras da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O ministro levou ainda a Mercadante que um ofício com o pedido para que seja convocado pela Comissão de Controle Externo das Atividades de Inteligência a fim de explicar as denúncias contidas na revista ''Veja''.
O líder governista propôs uma reunião da Comissão nas próximas 48 horas. ''Esses documentos serão tecnicamente desmascarados no momento oportuno'', afirmou o senador. ''A matéria contém afirmações precárias sobre o envolvimento do PT que não condizem com a nossa história'', disse o senador.
Na Câmara dos Deputados, o líder do PT, Paulo Rocha (PA), atribuiu as denúncias a uma possível tentativa da oposição de antecipar o processo eleitoral. ''Nossa avaliação é que setores da oposição querem antecipar uma polarização eleitoral'', disse. ''Não há nenhum tipo de relação do PT com as Farc, nem política, nem financeira. Nunca houve e nem haverá'', afirmou.
Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que a suposta doação é caso de CPI. ''Dinheiro das Farc significa dinheiro da narcoguerrilha, da corrupção, de sequestros e mortes, até de brasileiros'', disse Virgílio que, no entanto, não fez menção de que pedirá a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito.

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