Brasília - Em resposta às críticas de loteamento de cargos e aparelhamento de instituições da área da saúde, o ministro da Saúde, Humberto Costa, afirmou ontem que está ''contrariando interesses'' com a adoção de uma nova política.
''As ações que o Ministério da Saúde tem desenvolvido até hoje têm absoluto e total apoio do presidente da República. O presidente sabe claramente que nós, ao longo da aplicação dessa política, temos contrariado interesses. São, muitos deles, interesses muito grandes'', disse o ministro.
Sem especificar que ''interesses muito grandes'' seriam esses, Costa disse que a ordem do Planalto é promover mudanças ''doa a quem doer''. ''O presidente me reafirmou, e, aliás, nem precisava fazê-lo, que nós temos que dar continuidade a essa política doa a quem doer. Esse é o desejo do presidente'', disse ontem o ministro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a recepção feita ao presidente africano Blaise Compaoré, de Burkina Faso, para dar uma demonstração pública do prestígio de Humberto Costa.
Quando acabou a parte mais formal da cerimônia, o discurso dos dois presidentes, Lula aproximou-se de Costa, que também estava presente, e os dois conversaram em voz baixa e em tom amistoso diante dos jornalistas.
Anteontem, o porta-voz da Presidência, André Singer, já havia reafirmado a postura de Lula de apoio ao ministro da Saúde. Na noite anterior, Costa havia sido convocado para participar de uma reunião do chamado ''núcleo duro'' do governo, formado pelo presidente Lula e pelos ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo e Gestão Estratégica) e José Dirceu (Casa Civil).
A principal avaliação dos participantes da reunião é que a pasta de Costa tem problemas pontuais, mas não a ponto de justificar as críticas que o ministro vêm sofrendo na imprensa. Lula tem pedido rapidez ao ministro na solução dessas questões. Costa está recebendo apoio especial de Dirceu, com quem fala diariamente.

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