Ministro diz que Brasil não é uma nação suspeita
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Agência Folha 
Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem em dois encontros com deputados federais que o Brasil não é uma ''nação suspeita'', não vai recuar na decisão de impedir o acesso à tecnologia de enriquecimento de urânio, não aceitará pressões e que a decisão sobre a assinatura ou não do protocolo adicional que permite inspeções mais completas à produção de urânio será tomada de forma ''racional, soberana''.
No primeiro dos encontros, um café da manhã na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), Amorim disse aos deputados que o país até aceitaria dar acesso à sua tecnologia, considerada de ponta, desde que os EUA fizessem o mesmo. ''Ele disse que o Brasil não vai recuar e que se o Brasil abrir as portas à sua tecnologia, os Estados Unidos têm que fazer o mesmo'', disse a deputada Maninha (PT-DF), uma das presentes.
O novo contencioso entre Brasil e Estados Unidos veio à tona depois que o jornal ''Washington Post'' publicou, em sua edição de sábado, reportagem afirmando que o Brasil estaria proibindo inspeção da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) à fábrica de combustível nuclear de Resende (RJ). A suspeita levantada é a de que o país poderia estar direcionando sua tecnologia de enriquecimento de urânio para fins bélicos.
Amorim afirmou que o país não pode ser tratado como um suspeito que deva ter o seu ''sigilo'' quebrado durante uma investigação. ''O Brasil não tem atitude suspeita. Não pode é aplicar ao Brasil o mesmo critério que se aplica a outros'', afirmou.
Mais tarde, o chanceler falou por cerca de três horas na comissão de Relações Exteriores da Câmara. ''Não vamos nos deixar levar por pressões exteriores. Se o Brasil vai ou não assinar o protocolo, tem que ser feito de forma racional e soberana, à luz de seus interesses em uma área estratégica.''


