Ministro devolve R$ 30 mil do cartão corporativo
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2008
Ricardo Brandt<br>Agência Estado 
São Paulo - O ministro do Esporte, Orlando Silva, decidiu pôr a mão no próprio bolso para tentar acabar com os questionamentos feitos sobre seus gastos com o cartão corporativo da Presidência. Em entrevista coletiva convocada às pressas no sábado de Carnaval, em São Paulo, ele anunciou que determinou a devolução dos R$ 30.870,28 aos cofres da União para tentar encerrar a discussão.
Dizendo-se vítima de uma tentativa de execração pública, orquestrada pela oposição, Silva classificou o ato como ''pessoal'' e ''radical'', fruto de sua indignação com os ataques que teriam ''ultrapassado os limites''. ''Recolhi à conta única do Tesouro cada centavo utilizado desde o início'', afirmou o ministro, que é um dos alvos da oposição na tentativa de emplacar uma CPI dos Cartões.
Silva esclareceu que defende o uso do cartão corporativo como forma de maior controle sobre os gastos e que vai continuar a usá-lo, mas, a partir de agora, seguindo as regras para o sistema, anunciadas quinta-feira pelo governo. No sábado mesmo, o ministro deu o exemplo. Ele garantiu que pagou do bolso a sala reservada no luxuoso Hotel Renaissance, em São Paulo, para a coletiva. Valor: R$ 2.154,50.
Mas mandou um aviso: vai esperar o resultado das apurações oficiais para cobrar a fatura. ''Feita a avaliação e checados os gastos, eu me reservo ao direito de, comprovada a correção dos gastos, reivindicar aquilo que foi correto'', disse Silva.
Tapioca
O ministro admitiu erro apenas em um dos casos, o dos R$ 8,30 da tapiocaria de Brasília, em junho de 2007. Mas considera o fato superado. ''Recolhi os R$ 8,30 em outubro. Disseram que foi forçado, mas a devolução foi ato contínuo.'' Ele garantiu que todos os gastos foram feitos no cumprimento de agendas oficiais.
Silva ainda deixou claro que seu anúncio tinha como objetivo tentar encerrar as discussões políticas. Lembrando que o que está em jogo é o aperfeiçoamento do uso do cartão pelo governo, ele defendeu racionalidade no debate e acusou a oposição de ''jogar sujo''. Segundo o ministro, o caso extrapolou os limites quando ele foi questionado sobre a ''razoabilidade'' de sua filha de 9 meses ocupar o mesmo apartamento que ele em uma das viagens. ''Até na guerra há critérios, há regras, há parâmetros. ''


