Ministro deve reformular programas da área social
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domingo, 01 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília Bandeira principal da campanha para a Presidência da República e motivo das principais dores-de-cabeça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro ano de administração, a área social do governo não deverá ficar apenas na unificação de todos os programas, sob o comando de um superministério. A intenção do ministro da Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, é fazer um novo projeto para o setor, que neste ano tem orçamento total de R$ 5,58 bilhões. Ele quer intensificar as ações de segurança alimentar nas capitais e grandes cidades e ampliar o Bolsa-Família, que hoje atende a 3,6 milhões de famílias.
A determinação para a mudança do eixo dos principais programas sociais do governo foi dada pelo presidente Lula no mesmo ano em que o PT tem como um de seus principais planos de crescimento a eleição do maior número possível de prefeitos e vereadores das capitais e grandes cidades. Patrus diz que a área rural e as pequenas cidades já estão bem atendidas pelo Fome Zero e outros projetos e que é preciso concentrar-se agora nas regiões metropolitanas, onde moram 83% de toda a população do Brasil. Ele afirma que os programas sociais não têm nada a ver com a eleição. Não mistura as coisas.
O presidente do PT, José Genoino, confirma que o objetivo do partido é duplicar o número de prefeitos nas capitais (oito, hoje) e crescer nas grandes cidades. Diz que não há motivos para desconfianças de que o Fome Zero poderá ser usado para obter ganhos eleitorais. ''Jamais usaremos a máquina administrativa para ganhar a eleição'', afirma.
Para Genoino, o PT deve defender o governo, mostrar o que o presidente Lula está fazendo em todas as áreas e, com essa bandeira, participar da eleição. ''Vou fazer um projeto de trabalho e apresentá-lo ao presidente Lula. O que for aprovado, vamos tocar, não se esquecendo nunca de que o Brasil é um País federativo. Portanto, tudo o que formos fazer nos Estados e municípios terá de ser negociado com os governadores e prefeitos.''
Como o presidente Lula, o novo ministro gosta de fazer metáforas com o futebol quando se refere ao seu trabalho e às questões administrativas. Diz que vai pôr a alma na ponta da chuteira para espalhar pelo Brasil restaurantes populares, sacolões que possam vender verduras pela metade do preço, procurar parcerias com a iniciativa privada e continuar o que foi iniciado por José Graziano, um de seus antecessores: a compra da produção dos agricultores familiares.
A boa vontade só não basta para que os programas sociais dêem certo, lembra Patrus. É preciso lutar para garanti-los. Ele pretende visitar todos os ministros para fazê-los parceiros de suas iniciativas. Assim que foi convidado pelo presidente Lula, procurou os ministros Graziano e Benedita, para tentar torná-los aliados. Antes mesmo de tomar posse, foi conversar com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Por que Palocci? ''Porque ele foi prefeito de Ribeirão Preto e tem conhecimento de como é importante ter apoio para os programas sociais''. E é quem controla o caixa do governo.


