A permanência no cargo do delegado chefe da Polícia Federal (PF) em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, está sendo analisada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. O delegado será substituído por Élcio Fusculin, de Maringá, por determinação do superintendente da PF no Paraná, Jaber Makul Hanna Saad. A expectativa é que a substituição seja divulgada hoje no Diário Oficial.
A análise do caso foi solicitada pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). Segundo sua assessoria, o ministro teria se comprometido a ''dar uma resposta'' hoje. Hauly também se utilizou da tribuna na Câmara dos Deputados para defender a permanência de Santos no inquérito que apura denúncia de caixa 2 na campanha para reeleição de Nedson Micheleti (PT).
Segundo o superintendente da PF, o delegado foi informado sobre a transferência há dois meses e a confirmação de agora é ''coincidência da burocracia''. ''A saída dele não muda nada nesse inquérito, e quem está presidindo não é nem o Sandro, mas outro delegado (Kandy Takahashi)'', afirmou Saadi. Santos não quis falar sobre a transferência.
A saída de Santos teria sido motivada por um e-mail anônimo encaminhado em abril ao ministro solicitando a remoção do delegado, alegando que ele teria sido indicado para o cargo pelo deputado federal José Janene (PP), citado como um dos operadores do esquema do mensalão em Brasília, e réu em várias ações do caso AMA/Comurb. Em ofício encaminhado por Santos ao corregedor da PF, Marco Antônio Ribeiro Coura, o delegado se defende da acusação, dizendo que sua nomeação, em julho de 2003, foi definida pelo superintendente da PF no Estado, ''após inúmeros questionamentos e arguição''.
No início de julho, 50 funcionários da delegacia em Londrina remeteram um documento ao superintendente relatando medidas administrativas implantadas durante a gestão de Santos, consideradas positivas. Também no mês passado, um grupo de 14 entidades civis de Londrina encaminharam um ofício ao Ministério da Justiça pedindo a permanência de Santos no cargo. Ofícios idênticos foram remetidos ao superintendente e ao ministro da Justiça por 45 prefeitos do norte do Estado. Também se manifestaram pela permanência de Santos, o deputado estadual Barbosa Neto (PDT) e a Associação Médica de Londrina (AML). (Com Agência Folha)

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