Brasília - O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, criticou ontem o uso do capital ‘‘como arma’’ para tentar reduzir os riscos de vitória de um candidato e classificou essa prática como uma forma de terrorismo político.
Na semana passada, foi divulgada entrevista em que o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil poderá virar uma Argentina se os próximos governantes forem incompetentes. Dois dias depois, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) protestou contra ‘‘a política do medo’’.
O presidente da CNBB, dom Jayme Henrique Chemello, disse que ‘‘os políticos estão usando o medo das pessoas, como a situação da Argentina e a violência, para conseguir apoio e ganhar as eleições’’.
Naves disse ontem que o noticiário recente dos jornais revelou ‘‘uma nova faceta de ameaça terrorista, a que utiliza o capital como arma’’. Segundo ele, há ‘‘pânico instalado por intermédio da ameaça de fuga do capital no mercado para reverter tendência eleitoral considerada adversa’’.
O ministro fez essas afirmações na abertura do seminário ‘‘Terrorismo e Violência, Segurança do Estado, Direitos e Liberdades Individuais’’, no STJ. Ele negou que estivesse comentando o processo eleitoral, mas disse que esse tipo de terrorismo ‘‘é incompatível com a soberania das nações’’.

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