Ministro demite, mas não investiga
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Agência Estado Rio de Janeiro 
Agência Estado
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Day afterRequião, no dia seguinte à denúncia: demissão do funcionário da Saúde e bate-boca com Antonio Carlos MagalhãesO ministro da Saúde, Carlos César Albuquerque, mandou afastar seu assessor Marcelo Azalim, mas não vai abrir sindicância para apurar a denúncia feita pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR). Numa conversa telefônica com o deputado Maurício Requião (PMDB-PR), irmão do senador, Azalim teria dito que havia um problema político com as emendas ao orçamento de autoria dos dois e que os irmãos Requião deveriam procurar o ministro Luiz Carlos Santos, da Articulação Política. A gravação da conversa foi apresentada anteontem pelo senador em plenário.
Não cabe ao ministério apurar nada, porque não demos qualquer determinação nesse sentido ao Marcelo, argumentou Albuquerque, ontem, no Rio. Não recebi, nem dei qualquer orientação nesse sentido e não tenho a menor idéia do que fez Marcelo dar aquele tipo de resposta. Para ele, trata-se de um assunto de nível político. O afastamento do assessor foi definido num rito sumário. Ele sequer foi ouvido: segundo o ministro, Azalim não foi encontrado e supõe-se que esteja de férias. Não vou questionar a fita, porque a voz dele é bem reconhecível, apontou Albuquerque.
O ministro disse que Azalim trabalhava desde 1991 no ministério e seu papel era burocrático - tratava da tramitação de processos e protocolos. Portanto, na versão do ministro, não tinha participação na liberação de emendas. Quando aconteceu a conversa, aparentemente no dia 30, eu não estava, nem meu chefe de gabinete, mas o Marcelo não é substituto de ninguém, disse.
O ministro sustentou que as emendas de parlamentares liberadas por sua pasta não passaram por critérios políticos. Ele disse que o ministério avaliou 1.424 emendas e liberou cerca de 900 - segundo Albuquerque, o maior volume dos últimos cinco anos. Para demonstrar que os critérios usados eram técnicos, ele lembrou que a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) - que sempre vota contra o governo e me critica - teve duas emendas aprovadas e outra contemplou a prefeitura de Belém, administrada pelo PT. Mas não liberamos emendas para compra de ambulâncias, garantiu.
Albuquerque evitou criticar diretamente o senador Roberto Requião. Disse apenas que o episódio é coisa da política e afirmou não ter falado com o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto. O ministro passou o dia no Rio, onde visitaria unidades de saúde, mas cancelou boa parte da agenda por conta da chuva forte que castiga a cidade e ficou até de tarde em seu quarto, no Hotel Glória.
Hospedado também ali para assistir a formatura do filho, o líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PFL-PI), garantiu não ter visto crime no fato de as emendas dos parlamentares ao Orçamento passarem antes pelo ministro da Articulação Política, Luiz Carlos Santos, como teria dito Azalim na fita. Acho desnecessário, mas não condenável haver uma pessoa responsável por isso, disse ele. Hugo Napoleão acha que a gravação não deveria ter sido feita. Do ponto de vista ético, não é o procedimento adequado, afirmou.


