Brasília - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, quer provar na prática o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende desde a campanha: é possível defender com unhas e dentes o equilíbrio das contas públicas e, ao mesmo tempo, valorizar as políticas sociais do governo. ''Somos os ortodoxos do bem'', brincou um assessor direto de Palocci. Ou seja: não é porque o governo teve de promover um corte de R$ 14 bilhões no Orçamento de 2003 que os programas sociais serão abandonados.
A tese de Palocci e sua equipe é que as ações que o governo deve tomar para ajustar suas contas, reduzir seu endividamento e crescer são exatamente as mesmas que promoverão a melhoria na distribuição de renda do País. O melhor exemplo é a reforma da Previdência: ao mesmo tempo em que ela resolverá o ''ralo'' hoje existente nas contas públicas, as mudanças no sistema de benefícios ajudarão a reduzir distorções.
'Ortodoxia' - O documento ''Política Econômica e Reformas Estruturais'' mostra que o Brasil transfere mais dinheiro via benefícios previdenciários à população de renda mais elevada. Nos 10% mais pobres da população, o valor das transferências recebidas, por este sistema, é algo inferior a R$ 1.000,00 ao ano. Por outro lado, os 10% mais ricos da população brasileira recebem cerca de R$ 8.000,00 em aposentadorias e pensões.
A ''ortodoxia do bem'' de Palocci tem feito sucesso na comunidade econômica internacional. Ela rendeu a Lula e sua equipe elogios rasgados do presidente do Bird, James Wolfensohn. Para o presidente do Institute for International Economics (IIE), Fred Bergstein, Palocci apresentou uma ''importante dimensão adicional'' em relação a seu antecessor, ao abordar o social. ''É uma mensagem muito clara e correta'', concordou a presidente do Centro de Desenvolvimento Global, Nancy Birdsall.

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