Curitiba - O ministro Carlos Velloso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendeu ontem em Curitiba mudanças no financiamento público de campanha, no processo eleitoral, como a unificação das eleições e ampliação dos mandatos para seis anos, e afirmou que o Brasil precisa de uma reforma política urgente. Velloso veio à Capital conhecer a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que está comemorando 60 anos, e também receber a medalha Mérito Eleitoral das Araucárias e o título de cidadão honorário do Paraná, concedido pela Assembléia Legislativa.
''Sou a favor do financiamento público de campanha em termos. Não sou favorável que se despeje dinheiro vivo nas campanhas. Já temos uma forma de financiamento público que é o horário eleitoral gratuito. O governo dá incentivos fiscais para as emissoras. E os mesmos incentivos deveriam ser dados para quem doa dinheiro para campanhas, já que faria o doador ter interesse em declarar o montante correto evitando o caixa dois'', afirmou Velloso. Para o ministro, o dinheiro público que se coloca em campanhas eleitorais deveria ir para áreas mais importantes como saúde, educação e combate à violência.
Quanto ao processo eleitoral brasileiro, Velloso sugeriu três mudanças: o fim da reeleição e consequentemente a implantação do mandato de seis anos, o voto distrital misto (no qual os deputados estaduais e federais são eleitos por determinadas regiões do Estado e representam estas regiões na Assembléia e na Câmara e as eleições para senadores e cargos majoritários continuam iguais) e a unificação do processo eleitoral. ''Cada eleição custa para o País cerca de R$ 600 milhões. Quantas casas populares, hospitais, escolas poderiam ser construídas com esse dinheiro? E para fazer isso teríamos que prorrogar os mandatos. Não tem outro jeito'', argumentou. Neste caso o próximo pleito aconteceria apenas em 2008.
Para o presidente do TSE, o mandato de quatro anos é pouco para um governante desenvolver um bom plano de governo. Por outro lado, Velloso acredita que ''a reeleição não é tradição republicana do Brasil''. ''Sou favorável ao mandato de seis anos. Mas são idéias que eu lanço em abstrato'', ao argumentar que não defende a ampliação do tempo de governo e a unificação das eleições visando a prorrogação do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Velloso considera a reforma política urgentíssima, porém não acredita na sua implantação até as próximas eleições.
Velloso comentou também as mudanças no título de eleitor para as próximas eleições. ''Já sepultamos o mapismo (alteração dos votos de papel na hora da contagem) com a urna eletrônca e agora vamos atacar o título sem dados identificadores, última forma de fraude'', explicou o presidente do TSE. Segundo ele, nas próximas eleições pelo menos 20 milhões dos 121 milhões de eleitores do Brasil já vão ter títulos novos com fotografia, número do RG e CPF. ''O Paraná é um cadidato a começar a implantar o novo sistema já nas próximas eleições'', afirmou.

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