Ministro defende a saída de candidatos em dezembro
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Gerusa Marques Agência Estado 
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, defendeu ontem a idéia de que todos os ministros que forem candidatos a qualquer cargo eletivo em 2002 devem deixar o governo já em dezembro deste ano. Acho que é melhor para o presidente da República iniciar o ano com o último Ministério de seu governo, disse. Segundo ele, a sugestão é uma iniciativa pessoal sua e ainda não foi discutida com o presidente.
A idéia da desincompatibilização em janeiro, antes do prazo fixado pela lei eleitoral, em abril, foi sugerida ao presidente pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. O argumento é de que os ministros que assumirão os cargos até o final do mandato teriam um orçamento anual completo para gerir. Caso contrário, apenas executariam decisões tomadas por seu antecessor.
Para Pimenta da Veiga, é evidente que ninguém vai fazer um novo programa. Eles (os novos ministros) vão seguir o que está sendo feito. O ministro disse que será candidato, mas não antecipou a que cargo vai concorrer, e se declarou disposto a sair do governo em dezembro.
Fernando Henrique ainda não colocou o assunto em discussão nas diversas reuniões com seus articuladores políticos e líderes dos partidos aliados. O único ministro que confirmou já ter falado do assunto com o presidente foi Fernando Bezerra, da Integração Nacional.
Ele disse que Fernando Henrique lhe falou, há cerca de 20 dias, que vai fazer as mudanças dos ministros candidatos já em janeiro. Outros ministros candidatos, como Francisco Dornelles (Trabalho), ou mesmo o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes, disseram que nunca ouviram o presidente falar no assunto.
Segundo fontes palacianas, Fernando Henrique gostaria mesmo que seus ministros candidatos deixassem o posto em dezembro, mas poucos acreditam em tal possibilidade. Na eleição passada, em 1998, a mesma articulação foi feita, sem sucesso. Para os ministros, quanto mais tempo permanecerem no posto, maior visibilidade política garantiriam junto ao eleitorado.
O Ministério de Fernando Henrique tem 12 ministros que provavelmente sairão candidatos em 2002 e hoje começaram as especulações de que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, também poderá engrossar a relação. São eles: José Serra, da Saúde, Paulo Renato, da Educação, Aloysio Nunes, secretário-geral da Presidência, Pimenta da Veiga, das Comunicações, Eliseu Padilha, dos Transportes, Fernando Bezerra, da Integração Nacional, José Sarney Filho, do Meio Ambiente, Carlos Melles, de Esportes e Turismo, Roberto Brant, da Previdência, Raul Jungmann, do Desenvolvimento Agrário, Francisco Dornelles, do Trabalho, e Pratini de Moraes, da Agricultura.


