Ministro de Lula recebeu R$ 2,6 milhões em salários
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Paulo Peixoto<br>Agência Folha 
Belo Horizonte - O ministro dos Transportes, Anderson Adauto (PL-MG), recebeu em dois anos como presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, de 1999 a 2000, a quantia de R$ 2,62 milhões - R$ 1,07 milhão no primeiro ano e R$ 1,55 milhão no seguinte - a título de vencimentos.
A revelação dos vencimentos anuais de Adauto e de mais dois deputados estaduais mineiros foi feita ontem pelo jornal ''O Tempo'', de Belo Horizonte, a partir de informações obtidas na Justiça pela organização não-governamental Mãos Limpas.
A ONG, por meio do advogado Edgard Amorim, deu publicidade aos dados, apesar de a Assembléia Legislativa ter conseguido ontem uma petição na 2 Vara da Fazenda, na capital mineira, alertando para o fato de o processo que trata do vencimento dos deputados estar correndo sob segredo de Justiça. O advogado não foi localizado ontem pela Agência Folha. Seu telefone celular ficou desligado durante toda a tarde.
A ONG Mãos Limpas mantém uma ação popular na Justiça pedindo o ressarcimento aos cofres públicos dos altos salários que eram recebidos pelos parlamentares mineiros no período de 1999 a 2001. Amorim é um dos autores da ação popular.
Durante a gestão do atual ministro dos Transportes na presidência da Assembléia, todas as questões envolvendo salários de deputados eram feitas por meio de deliberações secretas. Até as publicações no ''Diário Oficial'' do Estado eram feitas em códigos para que nada fosse identificado, conforme revelou a Folha de S.Paulo no início deste ano.
Além dos valores recebidos por Adauto, a ONG divulgou os vencimentos do seu sucessor na presidência do Legislativo mineiro, deputado Antônio Júlio (PMDB), que recebeu no seu primeiro ano como presidente, em 2001, R$ 1,55 milhão, o mesmo valor do ministro em 2000. Naquele ano, Júlio recebeu R$ 1,04 milhão.


