Brasília - Quando assumiu o Ministério da Justiça, o criminalista Márcio Thomaz Bastos brincou: ''Assumo uma área que vai da tanga à toga.'' Ele se referia à abrangência de sua pasta, que inclui questões sobre índios, polícia, segurança, defesa do consumidor, sistema penitenciário e até problemas jurídicos. Mas, em um ano e meio de trabalho, acabou sendo chamado pelo presidente Lula também para socorrer o governo em emergências.
Como bombeiro do Planalto, Bastos foi responsável por tarefas espinhosas. E em crises como as do caso Waldomiro, do fechamento dos bingos e da cassação do visto do repórter Larry Rohter, operou com habilidade para reduzir o desgaste do governo.
Na semana passada, mesmo fora do Brasil estava na Suíça teve atuação decisiva para conter a repercussão do cancelamento do visto de Rohter. Uma crise que, se dependesse dele, não aconteceria. O ministro não estava quando assessores apoiaram Lula contra Rohter e nem foi consultado. Mas começou a apagar o fogo antes até de voltar ao País.
De Berna, ligou para Lula e para o ''The New York Times'' e foi decidido que Rohter faria um pedido de retratação. Também foi ele quem conteve o impacto das denúncias contra o ex-assessor do Planalto Waldomiro Diniz, praticamente desqualificando o depoimento que integrantes do Ministério Público Federal tomaram do bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Na gravação do depoimento, os procuradores pediam a Cachoeira que falasse logo pois já era madrugada e se o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, aparecesse, poderia achar que aquilo era uma ação para derrubar o governo. Foi o bastante para Bastos: ele passou a apontar o interrogatório como ''uma conspiração contra o governo'', atitude que nem políticos mais experientes se atreveram a tomar.
Ainda no caso Waldomiro, enquanto o governo batia cabeça discutindo como diminuir o impacto das denúncias, partiu dele propor a Lula a edição de uma medida provisória proibindo os bingos.
Considerado ministro da cota pessoal de Lula, de quem foi advogado, Bastos também teve momentos de autoridade no governo. Mesmo criticado, manteve a intenção de não negociar com policiais federais em greve, e pôs fim ao movimento, na semana passada, sem vitória para os grevistas.

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