Agência Folha
  Brasília - Designado como porta-voz do governo, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, definiu ontem como ‘‘conspiração’’ a reunião entre o subprocurador-geral da República, José Roberto Santoro, com o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O único objetivo de Santoro seria ‘‘destruir o ministro José Dirceu [Casa Civil] e derrubar o governo Lula.’’
  ‘‘Havia, de fato, e a fita (com os diálogos) denota isso, uma espécie de conspiração. Para quê? Para apurar o caso Waldomiro? Para descobrir delitos cometidos por essa pessoa, que é o que a fita indicava? Não. Muito mais que isso, conforme verbalizado, até num calão duvidoso, pelo subprocurador Santoro, o que se verifica dessa reunião na madrugada é que se pretendia ferrar, entre aspas, o ministro Zé Dirceu e derrubar o governo Lula’’, disse.
  O ministro, que atuou como advogado por 45 anos, disse que a conduta de Santoro ‘‘parece ilegal’’. ‘‘Toda situação descrita naquela fita parece ilegal. Ele (Santoro) não era o promotor natural, ia ouvir de madrugada, e as ameaças de baixo calão, ‘‘estou empenhado em derrubar o governo, estou empenhado em ferrar o ministro Zé Dirceu’. Havia efetivamente ali uma interação, uma conspiração que não visava o conteúdo da fita (sobre Waldomiro Diniz)’’, disse Bastos.
  Na avaliação do ministro, Santoro feriu o princípio do promotor natural, segundo o qual não se pode escolher quem se vai investigar. O princípio é decorrente da impessoalidade exigida do poder público na Constituição. ‘‘Agora, essas tarefas (dos procuradores) têm que ser realizadas com impessoalidade, atendendo ao princípio da moralidade, ao princípio do promotor natural, que é fundamental, a fim de que, no Estado de Direito, no Estado republicano, escapemos do arbítrio, da possibilidade de sermos escolhidos arbitrariamente para sermos objeto de investigação, objetos de perseguição.’’

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