Ministro da Justiça nega ter ido atrás de Nicolau
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Agência Estado De Campinas 
O ministro da Justiça, José Gregori, negou que tenha ido ontem a Campinas, na expectativa de uma possível rendição do juiz Nicolau dos Santos Neto, foragido desde 25 de abril. Durante todo o dia circularam rumores de que o juiz poderia apresentar-se à Polícia Federal na cidade, onde estaria escondido. Até às 20 horas, porém, os boatos não haviam se confirmado.
Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Viracopos, por volta das 19 horas, Gregori disse que estava na cidade para participar de um seminário sobre segurança e cidadania na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O convite, segundo ele, foi feito por sua filha, a pesquisadora Emilia Gregori, que trabalha na universidade e coordenou uma das mesas de discussão no seminário. A vinda de meu pai à cidade e desses boatos em torno do juiz são uma completa coincidência, garantiu Emilia.
Contrariando as informações que circulam há dias, o ministro negou a existência de negociações para a rendição de Santos Neto. Ele responsabilizou o advogado do juiz, o criminalista Alberto Toron, pela expectativa gerada. Foi ele que levantou esta hipótese, disse.
Questionado se ainda acreditava numa rendição do juiz para as próximas horas, Gregori foi cauteloso. Esta pergunta tem que ser feita ao advogado do juiz, o doutor Toron, afirmou. Para ele, a sucessão de tentativas frustradas para a prisão de Santos Neto não desgasta o Ministério da Justiça e nem a Polícia Federal. O Ministério colocou uma equipe especial neste caso e a Polícia está muito empenhada nisso, garantiu.
O ministro disse que determinados casos apresentam esse
tipo de dificuldade. Segundo ele, há precedentes na história em que foi necessário muito tempo para que as pessoas procuradas se entregassem ou fossem encontradas pela polícia.
A Polícia Federal (PF) está convencida de que o principal motivo que levou o juiz aposentado a negociar a própria rendição, após quase oito meses de fuga, é o receio de que o rastreamento bancário promovido pelo governo acabe identificando todos os seus ativos no exterior. Para a PF, quanto mais tempo ele permanecer foragido, maior será a possibilidade de localização e bloqueio de todo o montante desviado da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo R$ 196,7 milhões.


