Brasília - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, defendeu ontem o aumento do número de alíquotas do Imposto de Renda da Pessoa Física, mas voltou a afirmar que a medida depende de decisão do governo a ser tomada após a eventual aprovação da reforma tributária. Hoje, o IR tem apenas duas alíquotas, de 15% e 27,5%. Historicamente, o PT sempre defendeu a adoção de novas alíquotas, para elevar a tributação sobre as faixas de renda mais altas e tornar o imposto mais progressivo - na campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva causou polêmica ao mencionar uma alíquota de 50%.
A criação de novas alíquotas fazia parte do esboço inicial da reforma tributária apresentado pelo governo Lula em fevereiro. Naquele mesmo mês, porém, Palocci anunciou que o tema ficaria para uma segunda etapa da reforma, em que seriam debatidas as regras não-constitucionais do sistema de impostos. ''É adequado haver duas alíquotas? Eu acho que não: deveria haver mais alíquotas'', disse ontem o ministro em debate na Câmara. ''Uma nova tabela (do IR) poderia vir - se essa vier a ser uma decisão do governo, e acredito que será - após a aprovação da mudança constitucional.''
A Receita Federal já informou estar estudando alterações no IR, entre elas uma alíquota de 35%. No entanto, segundo o órgão, as mudanças mais importantes podem vir na revisão de deduções que hoje beneficiam indistintamente os mais ricos e os menos ricos - os mais pobres praticamente não pagam o IR.
Palocci deu a entender que a classe média será poupada de sacrifícios adicionais. ''Mais que os pobres e os ricos, a classe média é a que mais paga impostos.''
O ministro disse que o objetivo de perseguir ''justiça social'' com a reforma inclui o ''imposto negativo'', incluído no projeto do governo na forma de um programa de renda mínima a ser previsto na Constituição e detalhado numa segunda etapa.

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