Curitiba - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) que acione judicialmente o governador Roberto Requião (PMDB) em virtude das declarações do governador ao jornal argentino Clarín. No sábado passado, o jornal publicou uma entrevista em que Requião acusou Rodrigues de ser um ''representante das multinacionais'' e de ser ''pago pela Monsanto'', a maior produtora mundial de sementes de soja geneticamente modificadas.
Não é a primeira vez que Requião acusa o ministro de ter ligações com a Monsanto. Nos últimos meses, o governador tem batido de frente com o ministro, que não concorda em conceder ao Paraná o status de área livre de transgênicos. Mas a publicação das afirmações de Requião no jornal argentino deu repercussão e parece ter esgotado a paciência do ministro, que em nota oficial afirmou que as declarações do governador do Paraná lhe causaram ''danos materiais e morais''.
Em nota enviada aos jornais ontem, a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu afirma que o governador ''jamais deu estas declarações'' ao jornal argentino. ''A reportagem o interpretou mal, colocou palavras em sua boca'', diz a nota.
A reação dos deputados federais em Brasília às declarações de Requião foram fortes. O deputado gaúcho Darcísio Perondi, peemedebista como Requião, criticou duramente o governador no plenário da Câmara dos Deputados na quarta-feira. ''As declarações de Requião são absurdas, e foram proferidas por alguém que não está no seu equilíbrio emocional e psicológico'', disse Perondi. O deputado também criticou a lei sancionada pelo governador que proíbe o comércio de produtos geneticamente modificados e a exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá. ''Essa lambança do Requião pode provocar danos irreparáveis às economias do Paraná e do Brasil, gerando desemprego e redução das exportações'', disparou Perondi.
O PFL paranaense, que faz oposição a Requião, foi ainda mais duro nas críticas. O deputado federal Eduardo Sciarra protocolou um pedido formal ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que libere o trânsito de transgênicos pelas estradas e portos do Estado. Sciarra lembrou que o próprio STF já considerou sem efeito a lei sancionada por Requião, e que as restrições impostas ao comércio de soja transgênica pelo porto caracterizam desobediência a ordem judicial, podendo resultar em uma intervenção federal no Estado. O presidente do PFL no Paraná, Abelardo Lupion, também não poupou o governador. ''Requião é um irresponsável que não tem trava na língua ao denegrir a imagem de um homem de bem'', acusou.
A Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) também saiu em defesa do ministro da Agricultura. O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, classificou como ''extremamente injustas'' as declarações de Requião ao Clarín, destacando que conhece o ministro há muitos anos e que ''Roberto Rodrigues é uma pessoa preocupada com a situação de miséria que vive a humanidade e jamais iria trair seus princípios éticos, que foram adquiridos no seio familiar''.

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