BRASÍLIA - O ministro da Previdência, Romero Jucá, culpou ontem o Basa (Banco da Amazônia) pela responsabilidade de confirmar a existência das sete fazendas oferecidas por ele e seu sócio, Getúlio Cruz, como garantias a um empréstimo concedido a uma empresa de ambos, a Frangonorte, de Boa Vista (RR).
''A responsabilidade de aceitar (a garantia) ou não é de quem recebe. O Basa é responsável pelas informações que está recebendo'', disse Jucá. Indagado se o Basa seria o ''bandido'' na história, ele disse: ''Não entro no mérito de quem é o bandido. Mas o bandido da história não sou eu''.
Pela primeira vez desde o último dia 28, quando a ''Folha de S.Paulo'' revelou que as propriedades no Amazonas não existem, Jucá convocou uma entrevista coletiva específica para falar sobre o assunto e outras denúncias publicadas sobre ele nos últimos dias.
O ministro reconheceu que se sente ''desconfortável'' por ser alvo de denúncias, mas ''tem a determinação do presidente da República'' para cuidar dos assuntos da Previdência. ''Quem estiver achando que vai me tirar do rumo com qualquer acusação leviana, está redondamente enganado.''.
O ministro pretende entregar explicações ao procurador-geral da República, Claudio Fonteles, até o final da semana. O procurador deu prazo de 20 dias, a contar da última quinta-feira, para que Jucá enviasse suas explicações sobre o empréstimo de R$ 18 milhões (principal mais juros e correções) do Basa para uma empresa que lhe pertenceu entre 1994 e 1996.
O ministro disse que assinou o documento de 12 de agosto de 1996, pelo qual ele e Cruz enviaram as garantias ao Basa, como ''fiador e pagador'' do negócio, mas o ''hipotecante'' era o empresário do Ceará Luiz Carlos Fernandes de Oliveira. Indagado se, como ''fiador e pagador'', não tinha responsabilidade sobre a apresentação dos bens, Jucá disse que não.
De acordo com o ministro, esse documento foi assinado ''num momento de transição'' da propriedade da empresa, que estava sendo passada ao novo sócio, Oliveira. Jucá disse que ''infelizmente'' a transição não acabou sendo formalizada como deveria, e por isso ele abriu uma ação contra o Basa em maio do ano passado.
Jucá quer que o banco reconheça que ele não pode continuar sendo o fiador e o principal pagador da dívida. Jucá atribuiu as denúncias a ''disputas eleitorais de Roraima''.

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