Ministro coleciona série de gafes na campanha política
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Mariângela Gallucci 
Há um ano e quatro meses na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o baiano Ilmar Galvão, de 65 anos, coleciona uma série de gafes, sobretudo na atual campanha política. A declaração de que a reeleição de Fernando Henrique Cardoso seria indispensável para manutenção do modelo econômico no País foi mais uma delas, recentemente.
Na semana passada, antes de receber representação da coligação que apóia a candidatura de Lula pedindo a cassação do registro de Fernando Henrique, Galvão afirmou que o caso não seria julgado antes da eleição porque processos como esses não podem ser resolvidos em dez dias. O presidente do TSE lembrou ter dito a seus colegas de tribunal que quem está dentro da disputa fica, quem está fora não entra.
Antes disso, Galvão havia declarado em entrevista que a Justiça Eleitoral não tinha como fiscalizar as eleições, e que cabia aos funcionários públicos verificar a existência de abusos de candidatos à reeleição. Foi também do presidente do TSE a declaração de que se Fernando Henrique fosse eleito no primeiro turno seria melhor para a Justiça Eleitoral.
Pelo raciocínio de Galvão, com a decisão da escolha do presidente em 4 de outubro, estaria completamente afastada a possibilidade de adiamento do segundo turno, marcado para o próximo dia 25 - o presidente do tribunal temia que os preparativos para a eleição não ficassem prontos a tempo.
O PT também não gostou do que Galvão falou sobre eventuais abusos de poder cometidos por candidatos à reeleição. Na mesma entrevista na qual teria afirmado que a vitória de Fernando Henrique era indispensável, o presidente do TSE teria dito que aparentemente Fernando Henrique e sua equipe estariam tomando o devido cuidado para evitar abusos.
Isso não é verdade, tanto que o ministro Ornellas (Waldeck Ornellas, da Previdência Social) foi condenado pela Justiça Eleitoral por ter enviado cartas a aposentados, sustenta uma fonte do PT. Ilmar Galvão também teria dito que nos estados do Sul e do Sudeste havia um clima de normalidade. Até parece que somente há abuso nos estados do Norte e do Nordeste, rebate a fonte petista.
A escolha da cidade natal do presidente do TSE, Jaguaquara, na Bahia, para ter urna eletrônica também causou polêmica em Brasília. O município tem 24 mil eleitores. Para votar eletronicamente, as cidades têm de ter pelo menos 40,5 mil eleitores, de acordo com a assessoria do TSE. Ilmar insistiu e conseguiu - determinou a remessa.
Indicado para o Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, Galvão deve integrar o corpo de juízes até 2 de maio de 2003, quando completará 70 anos e terá de se aposentar. Na presidência da TSE, ficará até maio de 99. Ele deverá ser substituído pelo ministro José Néri da Silveira, atual vice-presidente do TSE. Néri da Silveira dificilmente concede entrevistas para os jornalistas.
Colegas de Galvão no TSE e no STF disseram que o ministro foi inábil em suas declarações à imprensa. Ele ficou numa situação muito difícil; eu não gostaria de estar na pele dele, reconheceu ontem um ministro em Brasília. O corregedor-eleitoral, ministro Eduardo Ribeiro, não quis analisar a situação do presidente do TSE. O ministro Ilmar Galvão tem se comportado com exemplar imparcialidade na condução do processo eleitoral, disse.


