O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse na última sexta-feira, durante visita a Arapongas, que o governo Federal vê com ''muita simpatia'' a proposta de redução da jornada de trabalho, de 44 horas para 40 horas semanais, mas disse que vai agir com equilíbrio para evitar perdas financeiras e de geração de emprego. ''A reivindicação está de acordo com o que acontece no mundo inteiro, mas tenho muita preocupação porque pode se transformar num instrumento de prejuízo para o trabalhador. Tem muitos setores que ameaçam com isso'', disse, indicando gerericamente que se tratam de setores empresariais.
Para encontrar um meio termo entre os diversos interesses, Lupi disse que governo, empresariado e trabalhadores devem cumprir com seus papéis. ''Ao governo cabe intermediar a relação entre patrões e empregados, e negociar, conversar, trabalhar essa proposta. Os empresários devem ter sensibilidade e perceber que, após um acúmulo de horas, o funcionário fica esgarçado na sua capacidade de produzir. E os trabalhadores devem seguir seu caminho, que é reivindicar''.
O ministro, que é também presidente nacional do PDT, tentou evitar uma estimativa sobre o tempo que levará até que a proposta chegue ao Congresso Nacional. De acordo com ele, o que está em jogo é uma iniciativa das centrais sindicais e o prazo para os acordos será aquela que os trabalhadores conseguirem estabelecer. Durante a semana, ao receber líderes sindicais no Palácio do Planalto, o presidente Lula já adiantara o mesmo recado. ''Se fosse uma proposta apenas de governo, ia se transformar em embate entre governo e a oposição e o povo ficaria alheio'', disse Lula.
Em entrevista à FOLHA, o ministro do Trabalho disse que são necessárias algumas etapas até que a reivindicação se transforme em lei. ''Isso tem que ser aprovado por deputados e senadores e é difícil mensurar quando vai acontecer. O que vejo é que a proposta tem muito peso e precisamos estar antenados com o mundo real''. Sem se comprometer com cronogramas, Lupi disse acreditar que um projeto de lei seja apresentado no Congresso no segundo semestre desse ano.
Mau agouro
Sobre a perspectiva de geração de emprego no País em 2008, Lupi declarou extremo otimismo. De acordo com ele, a economia está em crescimento, a moeda atingiu a estabilidade necessária e o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) vai incrementar a infra-estrutura do País durante o ano.
''O orçamento do Ministério do Trabalho aumentou de R$ 11 bilhões para R$ 17 bilhões este ano. Pela primeira vez os bancos privados estão pedindo dinheiro do FGTS para financiamento da casa própria - porque os recursos próprios estão se esgotando. Estou muito otimista que nós vamos viver um 2008 de recorde de geração de empregos e de crescimento da economia nacional. O Paraná, por exemplo, já bateu seu recorde de emprego no mês passado''.
Sobre as críticas da oposição ao modelo econômico, Lupi respondeu com ironia. ''O que tem de ave agourenta nesse País, Nossa Senhora, mas os lucros que a economia está gerando, inclusive para os bancos, mostra que estamos no caminho certo'', disse.
O único assunto que o ministro evitou na passagem por Arapongas foi a censura que sofreu da Comissão de Ética Pública do governo Federal por acumular o cargo de ministro e a presidência nacional do PDT. ''Esse assunto para mim está encerrado, continuo ministro e presidente do PDT. Aos incomodados, que procurem outra causa''. (Com Agência Estado)

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