Ministro Ciro Gomes pode deixar o PPS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
Luciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro- No dia seguinte à decisão do diretório nacional do PPS de entregar os cargos no governo federal e assumir posição independente no Congresso, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse ontem que pôs o cargo à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ciro deu a entender que seu destino será mesmo procurar outra legenda.
O ministro informou que fará uma reunião com seus aliados do PPS, esta semana, para tomar uma decisão. Questionado se vai se reunir com o presidente do partido, deputado federal Roberto Freire (PE), Ciro respondeu: ''O bom dessa história é não precisar falar com ele.'' Foi de Freire a proposta vencedora de saída da base governista. Ciro passou o domingo no Rio, mas não quis fazer maiores comentários sobre a decisão do diretório. Afirmou apenas que discorda do que foi aprovado.
O prefeito de Sobral (CE), Cid Gomes, irmão de Ciro e também filiado ao partido, disse que o ministro ''lamentou profundamente'' o resultado da reunião de sábado, em que a maior parte dos delegados do diretório aprovou a entrega dos cargos. Com Ciro, deverá sair, além de Cid, a senadora Patrícia Saboya (CE), ex-mulher e aliada do ministro. O PT do Rio já avaliou a possibilidade de convidar Ciro para se filiar ao partido e ser o candidato ao governo fluminense em 2006. Também o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), já convidou o ministro a ingressar na legenda.
Aprovada a saída do governo, o PPS partirá para o diálogo com o PMDB oposicionista. O deputado federal Raul Jungmann (PE), defensor da entrega dos cargos federais, disse que falou com os peemedebistas Jarbas Vasconcelos, governador de Pernambuco, e Michel Temer, presidente do PMDB.
''Vamos sentar para conversar. Depois deste fim de semana, com a decisão do PPS e o encontro do PMDB, está claro que se formou um novo campo, alternativo ao PT e ao PSDB. Estamos conversando já há algum tempo com o PDT e vamos conversar com o PMDB. Para onde vai este campo alternativo, qual será o ideário, o que vai acontecer, vamos ver daqui para frente'', afirmou Jungmann.
Por outro lado, o líder do PPS na Câmara, deputado Júlio Delgado (MG), aliado de Ciro Gomes, fará um esforço para convocar um congresso extraordinário do partido em que a manutenção ou saída da base governista seja votada mais uma vez. A diferença, diz Delgado, é que o diretório nacional tem 113 votantes, enquanto no congresso são mais de 400.
O próprio líder reconhece, porém, que a tarefa não é fácil, pois é preciso que um diretório regional solicite a realização do congresso e no mínimo outros 13 apóiem o pleito.
A decisão aprovada sábado não define o prazo para que os integrantes do governo federal deixem os cargos nem a punição para os que não cumprirem a determinação.


