Curitiba - Uma intervenção federal no Porto de Paranaguá está sendo cogitada pelo ministro dos Portos, Leônidas Cristino. A questão será levada, em breve, à presidente Dilma Rousseff em uma reunião específica para tratar do assunto. Por ser considerado um porto estratégico, o ministro se diz preocupado com as informações recentes de irregularidades na administração da
autarquia.
O Porto de Paranaguá é um dos 16 portos públicos brasileiros que estão delegados, concedidos ou têm a operação autorizada a um governo estadual ou municipal. Mesmo sendo estadualizados ou municipalizados, o governo federal realiza investimentos constantes em melhorias nesses terminais. Ao todo, o Brasil tem 34 portos marítimos públicos, sendo os 18 restantes ainda sob administração direta do governo federal. Outros 42 terminais e três complexos portuários operam sob concessão da iniciativa privada.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Portos informou que o ministro Cristino não teria autoridade para tomar uma providência ou determinação sozinho, uma vez que trata-se de uma questão de Estado. A reunião com a presidente ainda não tem data para acontecer, já que Dilma estaria priorizando as reuniões ministeriais gerais. De acordo com a assessoria de imprensa, o ministro vem defendendo uma gestão mais próxima com os portos concedidos.
Abusos na administração do Porto de Paranaguá teriam chamado a atenção do ministro depois das notícias sobre a Operação Dallas, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal (PF) de Paranaguá. Dez pessoas foram presas por suspeita de terem cometido diversos crimes - como o desvio de grãos de um terminal ou fraudes em licitações -, entre elas o ex-superintentende da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) Daniel Lúcio Oliveira de Souza.
Segundo o delegado-chefe da operação, Jorge Luiz Fayad Nazário, os crimes podem ter fins políticos, havendo rumores de que parte do dinheiro poderia ter sido usado em campanhas eleitorais no ano passado. Nomes próximos ao ex-governador Roberto Requião (PMDB), como o irmão, Eduardo Requião, e o suplente no Senado, Luís Mussi, também foram investigados. A PF chegou a requerer a prisão temporária de Eduardo, também ex-superintendente da APPA, e Mussi, mas o pedido foi negado pela Justiça Federal.
Nazário informou que as investigações sobre as irregularidades devem seguir e lembrou que ''é atribuição e interesse da União explorar o Porto diretamente, mas concedeu por delegação ao Estado do Paraná''.

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