Ministra diz que aborto não é questão ideológica
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2012
Johanna Nublat <br> Folhapress 
Brasília - ''O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.'' A frase foi dita por Eleonora Menicucci ontem, na primeira entrevista coletiva após ser indicada como nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).
Bombardeada com perguntas sobre a descriminalização do aborto, Menicucci disse que o Executivo ''não tem muito o que fazer'' a respeito. ''O governo tem um projeto no Congresso Nacional, que foi enviado na gestão da ministra Nilcéa Freire, e reforçado pela gestão da ministra Iriny Lopes. Agora, esse projeto só andará no Congresso se assim os parlamentares quiserem e entenderem a importância dele. Neste momento, nós do Executivo não temos muito o que fazer'', disse.
A nova ministra não deixou, porém, de afirmar a importância do assunto. ''Nenhuma pessoa de gestão que tenha sensibilidade e ouça os números admite que as mulheres continuem morrendo em decorrência de aborto.''
Sua posição pessoal - de lutar pela descriminalização do aborto - ''a partir de hoje, não diz respeito'', declarou Menicucci. ''Minha posição pessoal está em todos os jornais, nas entrevistas que dei, não seria eu se não reafirmasse o que falei anteriormente. Mas sou governo, minha posição hoje é de governo.''
Quando em campanha, a então candidata Dilma Rousseff se comprometeu com segmentos evangélicos em não capitanear mudanças na legislação pró-aborto.
Vizinhas
A nova ministra contou que conheceu Dilma ainda em Belo Horizonte, antes de se reencontrarem na cadeia, durante a ditadura militar. ''Quem passou pelo que nós passamos na luta contra a ditadura cresce, amadurece, e não esquece nunca. São marcas que nos tornam mais fortes e mais sensíveis ao debate, sensíveis à espera, sem sentar-se numa cadeira e ficar esperando a banda passar. É espera com ação'', disse Menicucci.
Ela descartou ter sido convidada para a SPM pela amizade com a presidente. ''Meu currículo me credencia para estar nesse lugar. Não se faz governo com amigos.'' Menicucci é professora titular do departamento de medicina preventiva da Unifesp e tem longa trajetória no movimento feminista e no combate à violência contra a mulher. A indicada garantiu que o combate à violência doméstica e sexual será prioridade na sua gestão.



