Ministério Público reabre caso Banpará
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sábado, 09 de junho de 2001
Leandra Peres Agência Estado De Belém 
O Ministério Público Estadual no Pará (MPE) ganhou notoriedade nacional quando arquivou e depois reabriu a investigação do desvio de quase R$ 10 milhões do Banco do Estado do Pará (Banpará). Mas a investigação desse caso, que envolve ninguém menos que o presidente do Senado, ex-governador e maior líder político estadual, Jader Barbalho (PMDB-PA), vem tirando a tranquilidade da instituição. As desavenças políticas internas, antes acirradas nos períodos de eleição do procurador-geral de Justiça, deixaram as paredes do bonito prédio que o MPE ocupa no centro de Belém e chegaram a praça aberta.
A decisão de reabrir as investigações, capitaneada pelo procurador-geral, Geraldo Rocha, identificado com o grupo político do governador Almir Gabriel, foi apenas o começo. Numa reunião da cúpula do MPE, realizada logo após o pedido de arquivamento pelo promotor José Vicente Miranda, foram feitas críticas pesadas às inconsistências jurídicas do parecer.
Quando a investigação foi retomada, Miranda distribuiu, com a assessoria de sua mulher, que é funcionária do MPE, uma nota em que acusava o Conselho Superior do órgão (CSMP) de estar agindo contra a lei. Miranda defende que um procedimento administrativo não pode ser revisto pelo CSMP. A atitude do promotor foi considerada mais que suspeita pelos colegas e hoje são poucos os que não o criticam.
O caso do Banpará é delicado, não há como negar, e aumenta muito a visibilidade da instituição, mas é como qualquer outro caso polêmico. Lembre-se, por exemplo, do massacre de Eldorado dos Carajás, diz o procurador-geral em exercício, Luiz César Bibas, em tom conciliatório.
O responsável pelo MPE hoje afirma, entretanto, que não entendeu os motivos que levaram a colega Marisa Lima a publicar um artigo na imprensa local na semana passada atirando contra o projeto social MPE Comunidade e exigindo a contratação de mais procuradores.
Considerada como integrante da facção da ex-procuradora-geral Marília Crespo, ligada a Jader Barbalho, e candidatíssima ao CSMP e ao cargo de procuradora-geral, Marisa Lima disse que o MPE gastava R$ 2 milhões por mês no projeto de assistência a comunidades carentes. Isso no momento em que a Assembléia Legislativa discute a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem e o MPE tenta defender mais recursos.
De acordo com a assessoria de imprensa do MPE, os gastos com o projeto esse ano não chegam a R$ 30 mil. Marisa Lima foi procurada pela Agência Estado, mas na sexta-feira pela manhã, horário de funcionamento do MPE, não havia ninguém em seu gabinete.
A rotina de trabalho dos procuradores também vem sendo alterada pelo caso Banpará. O procurador Bibas, por exemplo, foi o relator do processo no CSMP e deu parecer contra o arquivamento das investigações. Para fechar sua peça, ele teve que mudar o escritório para casa, onde trabalhou por uma semana.
Até o procurador-geral, Geraldo Rocha, anda sofrendo as consequências. Afastado por motivos de saúde, ele garante que não foi o Banpará que o levou às férias forçadas, mas reconhece que o trabalho aumentou bastante e a pressão da imprensa ainda mais.


