Ministério Público pede que Justiça não autorize réu da ZR-3 a frequentar a prefeitura
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terça-feira, 10 de setembro de 2019
Rafael Machado - Grupo Folha 
O promotor Leandro Antunes, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), é contra a possibilidade do empresário Luiz Guilherme Alho de retornar a frequentar o prédio da Prefeitura de Londrina. Alho é réu na Operação ZR3, deflagrada em janeiro de 2018 para desmantelar um possível grupo criminoso formado por servidores municipais, vereadores e ex-membros do CMC (Conselho Municipal da Cidade) suspeito de alterar o zoneamento de áreas da cidade.

Alho chegou a ficar preso, mas conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça em março de 2018 e acabou solto. O advogado dele, Luciano Molina, argumentou com o juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, responsável pelo processo da ZR-3, que o impedimento de acessar a prefeitura prejudica o trabalho de seu cliente. "É como se ele fosse proibido de exercer sua profissão - é engenheiro especialista em loteamentos - na plenitude", disse em entrevista à FOLHA. A medida cautelar perdura há mais de dois anos.
Só que o promotor do Gaeco tem um entendimento completamente diferente do caso. Para ele, o distanciamento da sede da administração municipal "revela-se necessário a fim de se evitar a continuidade da prática de infrações penais. Deve-se ressaltar que o réu foi denunciado por integrar organização criminosa e corrupção passiva por duas vezes. Ele teve intensa participação nos fatos narrados na denúncia", escreveu.
Segundo a acusação do Ministério Público, Luiz Alho, por meio de sua empresa, apresentava orçamentos de prestação de serviços superfaturados de forma que parte dos valores, supostamente de origem ilícita, seriam repassados aos outros integrantes do esquema. Conforme o promotor, ele, junto com Mário Takahashi e Rony Alves, aceitou propina de R$ 60 mil e mais dois lotes comerciais com área mínima de 600 metros quadrados.
Na ZR3, quando integrava o CMC, o empresário foi considerado como interlocutor entre Takahashi e os também empresários Brasil Theodoro Mello de Souza e José de Lima Castro Neto. "As atividades supostamente ilícitas desempenhadas jamais se consumariam se o réu não tivesse contatos, muitas vezes pessoais, com integrantes dos poderes municipais de Londrina. Dessa forma, existe o receio de que a revogação da medida cautelar imposta contribua para a continuidade das irregularidades", esclareceu Leandro Antunes na manifestação enviada ao juiz.


