A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Londrina está pedindo a devolução de R$ 116,8 mil aos cofres públicos municipais. As promotoras Solange Vicentin e Leila Voltarelli apuraram que o valor foi desviado de um convênio firmado em 1998, entre o programa Paraná Esporte, do governo do Estado e a Prefeitura de Londrina, de R$ 150 mil, para o Centro de Excelência de Basquete.
O pedido de devolução faz parte de uma ação civil pública ajuizada segunda-feira. Na ação, encaminhada para a 9 Vara Cível, as promotoras pedem liminar de indisponibilidade de bens das oito pessoas físicas e jurídicas citadas, entre elas estão o ex-secretário de Governo, Gino Azzolini Neto, o ex-assessor especial do Esporte da Prefeitura de Londrina, Paulo Vicente Viana e o empresário de Maringá, Sérgio Paulo Abujanra. Apesar do desvio ter ocorrido durante a administração do ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), ele não foi responsabilizado nesta ação.
Segundo a promotora Leila Voltarelli, o convênio chamou a atenção pelo expressivo número de camisetas e bonés adquiridos. Conforme a ação, teriam sido realizadas três cartas-convite, todas vencidas pela empresa de Abujanra, para a confecção de 21 mil camisetas, 16 mil bonés e 500 bolsas. ''(Abujanra) no momento em que foi chamado a depor, falou que nunca entregou o material licitado e que as cartas-convite foram fraudadas. Ele disse que participou devido um acordo com a administração municipal para receber créditos de cerca de R$ 100 mil, mas ele não conseguiu comprovar estes créditos junto à prefeitura'', relatou. ''O Paulo Vicente afirmou em depoimento que se reportava ao Gino (Azzolini) como a pessoa que definia a destinação dos recursos'', disse a promotora.
O empresário afirmou ontem que a participação nas cartas-convite foi a única alternativa para receber pelo material esportivo repassado ao município. ''Eles me chamaram e disseram que eu tinha que entrar em licitação de camisetas e bonés, disse que não entreguei o material licitado e que poderia dar problema, mas disseram que não daria problemas porque eram cartas convites, e dai eu receberia e recebi sem juros, sem correção. Eu mesmo fui ao Ministério Público, por seis vezes, mostrei o que eu fiz e mostrei que não foi dinheiro para o basquete, mas para aquilo lá. Se eu não fizesse isso, eu não recebia'', argumentou. ''Quem conversou comigo foi o Paulo Vicente e o departamento de compras que me passou a carta-convite'', complementou. ''Me sinto muito tranquilo porque eu não devo nada, não fiz nada que me comprometesse. Eu tenho tudo para comprovar que foi entregue, tudo documentado. Estou com a consciência muito tranquila.''
O advogado de Azzolini, Omar Badauy, disse não ter conhecimento da ação. a reportagem tentou entrar em contato com Viana, mas ele não foi localizado.
Em inquéritos instaurados na promotoria, estão sendo investigados repasses no total de R$ 4 milhões que teriam sido feitos ao Esporte de Londrina entre 1997 e 2000.

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