Curitiba - Um dia depois de o PPS do Paraná anunciar o encaminhamento ao Conselho Nacional do Ministério Público de uma representação contra a promotora Terezinha de Jesus Souza Signorini e contra o procurador-geral de Justiça, Milton Riquelme de Macedo, o MP estadual divulgou ontem uma nota lamentando a atitude do presidente do partido, o ex-deputado Rubens Bueno.
A representação, encaminhada ontem ao Conselho, se refere às cobranças do PPS nas investigações sobre o emprego de parentes do governador Roberto Requião (PMDB) na administração estadual. No entendimento do PPS, houve prevaricação (deixar de cumprir os deveres que o cargo exige) por parte do MP.
''É imputado de forma indevida e ofensiva conceito de natureza pessoal do político a respeito da atuação de membros do MP-PR na condução da matéria jurídica, que vem sendo discutida amplamente'', diz trecho da nota do MP. ''O assunto 'nepotismo' está suscitando maior atenção da sociedade no atual momento histórico, sendo debatido também no âmbito do Ministério Público e do Poder Judiciário, instituições que sempre estiveram atentas às aspirações legítimas da sociedade. O MP-PR lembra que promotores e procuradores de Justiça, de acordo com a Constituição Federal, têm independência funcional; sendo-lhes facultado agir, dentro da lei, em conformidade com suas convicções. A Instituição está atuando efetivamente na questão, respeitando a legalidade e o devido processo legal, e suas ações são pautadas por critérios jurídicos, impessoais, objetivos e transparentes. Assim, não pode se pautar e conduzir os procedimentos de acordo com a expectativa política do requerente'', finaliza a nota.
No final da tarde de ontem, Rubens Bueno rebateu a nota do MP e afirmou que o partido ''nunca criticou a instituição, mas sim a atuação do procurador-geral, Milton Riquelme de Macedo, e da promotora Terezinha de Jesus Souza Signorini, responsáveis pela investigação sobre o nepotismo no Paraná''. Rubens afirma também que a nota do MP é ''evasiva'' e ''não explica o principal assunto em debate, que é a justificativa da promotora Terezinha de Souza para não ingressar com uma ação civil pública contra o governador Roberto Requião e seus secretários adeptos ao nepotismo''. (Colaborou Catarina Scortecci)

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