O prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko (PSDB), foi denunciado pelos promotores Henrique Cesar Alves Cleto e Loriane Zaniolo Corrêa por ter pago R$ 154,3 mil por um terreno rural em Entre Rios (distrito de Guarapuava), quando o valor real do mercado imobiliário não ultrapassa R$ 29 mil. O motivo da compra do imóvel, segundo Burko, seria para a construção de um núcleo habitacional.
Segundo os promotores que entraram com a ação civil pública e pedem o ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos, o terreno de lote 26-A da Gleba Vitória, pertencente à Cooperativa Agrária Mista de Entre Rios foi superfaturado, causando um prejuízo à população superior a R$ 125 mil. ‘‘A improbidade administrativa tem como peculiaridade o seu grave potencial lesivo pelo mau exemplo que dissemina e pelo rótulo de descrédito que aplica à causa dirigente’’, diz o relatório do Ministério Público.
O relatório também cita a Câmara de Vereadores de Guarapuava, que, verificando as irregularidades apresentadas no processo expropriatório da prefeitura, determinou abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) que se tornou infrutífera por questões políticas. ‘‘Ao desprezar a avaliação elaborada, supervalorizando o terreno expropriado, o chefe do executivo municipal agiu de forma ilegal e imoral, ferindo os princípios norteadores da administração pública’’, afirma o Ministério Público.
Para os promotores, o processo de desapropriação é lícito previsto em lei, desde que se obedeça a forma estabelecida em lei específica. Além disso, o Ministério Público entende que não se duvida da capacidade da autoridade municipal em conduzir tal procedimento. ‘‘O que não se explica é o motivo do pagamento tão elevado a um terreno acidentado e composto de metade em banhado, já que outros tantos terrenos em metragens aproximadas foram desapropriados em valores compatíveis com os avalizados pela Caixa Econômica Federal’’, concluíram os promotores.
Na sexta-feira, o prefeito Vitor Hugo Burko não estava na cidade. No sábado, a reportagem não conseguiu localizá-lo, apesar de ele ter retornado a Guarapuava. O procurador jurídico do município Amoriti Trinco Ribeiro também não foi encontrado pela Folha para falar sobre o assunto.

mockup