Curitiba - O Ministério Público (MP) Estadual ofereceu duas denúncias ao Tribunal de Justiça (TJ) contra o deputado estadual Mário Sérgio Bradock Zacheski (PMDB) e outros três policiais civis. Eles são acusados de homicídio, tentativa de homicídio, tortura, fraude processual, porte ilegal de arma e falsidade ideológica. Por ocupar cargo público, Bradock que ficou conhecido por fazer o gênero ''linha-dura'' e usar roupas camufladas em alusão ao personagem das telas de cinema ''Bradock'', estrelado por Chuck Norris, terá direito à defesa prévia antes do TJ decidir se acata ou não as denúncias.
''As denúncias são fruto de minuciosa e intensa investigação'', destacou o procurador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Francisco José Albuquerque Branco, que assina as denúncias junto da procuradora-geral de Justiça, Maria Tereza Uille, e do procurador Munir Gazal.
Segundo Branco, a primeira denúncia, protocolada no TJ em 28 de fevereiro, foi contra Bradock e o investigador de polícia Obadias de Souza Lima, ambos acusados de tortura na época em que atuavam na Delegacia de Polícia de Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba). Em 22 e 23 de janeiro de 2001, os dois teriam obrigado o construtor André França Cordeiro, mediante agressões físicas e morais, a confessar a autoria da morte de Jurandir Ferreira de Andrade, ocorrida em 9 de agosto de 1999, em Rio Branco do Sul.
De acordo com depoimento de testemunhas à PIC, o investigador, por ordem de Bradock, teria colocado a cabeça de André Cordeiro dentro de uma sacola com água e sabão em pó, além de agredi-lo com socos. Na frente de familiares de Jurandir de Andrade, Bradock também teria ameaçado colocar uma granada na calça de Cordeiro ou atirar contra ele simulando uma tentativa de fuga, caso não confessasse.
A denúncia de tortura já foi distribuída ao desembargador Campos Marques, que deverá notificar os acusados para que ofereçam defesa prévia no prazo de 15 dias. Caso acate a denúncia, o procedimento se transformará em uma ação penal.

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