Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná denunciou 20 pessoas ontem à Vara Criminal de Campo Largo acusadas de participação no esquema de interceptação telefônica clandestina comandado pelo policial civil Délcio Rasera. O esquema foi desarticulado no último dia 5 pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao MP, durante a chamada ''Operação Pátria Nossa''. Entre os acusados pelo MP está João Formighieri, diretor da Imprensa Oficial, órgão vinculado ao governo do Estado. O policial civil Délcio Rasera também estava cedido ao Executivo e se apresentava como assessor do governador licenciado Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição.
Rasera é acusado de interceptações telefônicas clandestinas, por quadrilha armada e advocacia administrativa (ou seja, patrocínio direto ou indireto de interesse privado perante a administração pública). O MP também denunciou Rasera na Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba por posse ilegal de arma de fogo (por 9 vezes), posse ilegal de arma de fogo com numeração suprimida, raspada ou adulterada (por 2 vezes), posse ilegal de arma de fogo de uso restrito (por 8 vezes), posse irregular de munição de uso permitido (por 2 vezes), posse de munição de uso restrito (por 9 vezes) e posse de acessórios de uso restrito (por 10 vezes).
Formighieri, que não foi encontrado ontem pela reportagem para comentar o assunto, é acusado de interceptações telefônicas clandestinas. Luiz Fernando Comegno, que se apresentava como advogado de Rasera, também é acusado de interceptações telefônicas clandestinas. Comegno estava à frente do caso desde o início da operação, quando Rasera foi preso de forma preventiva, assim como outras seis pessoas. Comegno foi procurado ontem pela reportagem, mas não atendeu o celular.
A assessoria de imprensa do MP, em nota, informou que foi solicitada autorização judicial para ''compartilhamento das provas'' com o Ministério Público Federal, ''tendo em vista a possibilidade de cometimento de crimes de competência da Justiça Federal, em razão do contido no material apreendido, onde constam documentos restritos de entidades federais''.
Através da assessoria de imprensa do MP, a PIC informou ainda que as denúncias oferecidas ontem correspondem aos fatos ''que estavam mais emergentes e cuja prova foi de mais fácil verificação no curto espaço de tempo desde a prisão dos acusados''. E acrescenta que, por isso, foi feito o ''desmembramento dos autos, para a continuidade das investigações, em relação a outros delitos eventualmente praticados pela quadrilha e à possível participação de outras pessoas no caso''. A PIC aguarda agora a manifestação do Poder Judiciário quanto às denúncias já apresentadas.
A assessoria de imprensa do MP informou também que recebeu ontem o ofício do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, solicitando o ''encaminhamento à Procuradoria Regional Eleitoral das peças e informações das investigações relativas a eventuais escutas telefônicas a candidatos ao presente pleito ou de qualquer forma afetas à Justiça Eleitoral''. A PIC deverá entregar nas próximas horas o material que já foi objeto de análise e que portanto já estaria ''em condições de ser encaminhado'', conforme nota da assessoria de imprensa.

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