Curitiba - O Ministério Público Federal no Paraná distribuiu ontem nota contestando as declarações dadas pelo delegado da Polícia Federal, José Francisco Castilho, e do perito criminal da Polícia Federal, Renato Rodrigues Barbosa, que estiveram em Curitiba à convite da CPI do Banestado, que investiga entre outras coisas o esquema de lavagem de dinheiro através de contas CC-5 via agência do Banestado em Nova York. Sem citar nomes, eles falaram, entre outras coisas, como funciona o esquema e deixaram transparecer descontentamento por terem sido afastados do caso.
''O delegado Castilho e o perito Barbosa não foram afastados por motivos políticos, mesmo porque nunca foram designados oficialmente para atuar junto à força-tarefa do Ministério Público Federal no caso Banestado. Cumpre ressaltar, também, que os documentos obtidos na diligência não estão parados há 35 dias, como afirmou o delegado nas entrevistas. Os documentos serão analisados criteriosamente, sem alarde, e deverão integrar as denúncias a serem apresentadas à Justiça Federal em tempo hábil pela força-tarefa sediada em Curitiba'', diz a nota.
A força-tarefa, segue ainda a nota, foi criada com seis procuradores da República. Os mesmos foram designados para atuarem em conjunto nos mais de 2 mil inquéritos policiais que investigam o envio de US$ 30 bilhões de dólares para o Exterior, no período compreendido entre 1996 e 2002. Os trabalhos foram iniciados em 6 de maio de 2003. Uma portaria, explica o Ministério Público Federal, de maio agora ampliou o para oito o número de procuradores, que estão trabalhando em Curitiba em conjunto com o delegado federal, Maurício Valeixo, e com o perito criminal Eurico Monteiro. Ambos coordenam uma equipe de 20 pessoas, entre agentes federais e técnicos da Receita Federal e do Banco Central.
De acordo com a nota, no dia 28 de maio de 2003, os procuradores da República Luiz Francisco de Souza, Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá, que investigam em Brasília atos de improbidade administrativa atribuídos a autoridades do Banco Central e outros órgãos públicos, relacionados ao caso CC-5, subscreveram um endereçado ao diretor geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, para tratar das funções do delegado Castilho, informando naquela ocasião que o trabalho passaria para a esfera de Curitiba.

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