A Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol) se valeu ontem de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para atacar o Ministério Público Estadual. Ontem, o presidente da Adepol, João Ricardo Képes Noronha, divulgou que uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) tinha reduzido liminarmente os salários dos promotores estaduais, que estariam acima do que determina a Constituição Federal.
No entanto, a decisão do STF era interpretada de maneira diferente pela Procuradoria Geral de Justiça. O sub-procurador de Justiça, Lineu Walter Kirchner, durante à noite, rebateu as acusações de Noronha. Kirchner explicou que os dispositivos julgados pelo STF foram alterados em uma emenda constitucional. ‘‘A ação mostra um total desconhecimento da Adepol sobre a Constituição Estadual e regimento do Ministério Público’’.
Na liminar do STF, ficou determinado liminarmente a desvinculação dos vencimentos dos membros do Ministério Público Estadual com a Procuradoria Geral da República. A ação da Adepol também pediu mudanças no sistema de escolha do procurador-geral da Justiça.
Lineu Kirchner afirmou que a decisão do STF é nula porque foi julgada sobre dispositivos alterados. ‘‘Essa pessoa que é muito bem conhecida do meio policial está usando uma informação para atacar o Ministério Público’’, criticou o sub-procurador.
Kirchner disse que Noronha desconhece o regimento do Ministério Público, mas conhece bem os promotores que o investigam. ‘‘A ação que a Adepol moveu não é uma retaliação às investigações de promotores. Mas uma atitude de um cidadão que busca o respeito à Constituição’’, rebateu Noronha.

mockup