A audiência de uma hora entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Jaime Lerner (PFL) ontem à tarde no Palácio do Planalto não avançou quando o assunto foi a garantia de um ministério para o Paraná. Segundo a assessoria de Lerner, ele não falou sobre o assunto no encontro com FHC. ‘‘Quem dá o tom da conversa é o presidente e ele não está tratando de assuntos políticos e de indicações de ministério, e sim concentrando esforços nas reformas’’, afirmou o porta-voz do governador, jornalista Hudson José.
De manhã, ao anunciar as medidas de ajuste fiscal adotadas pelo Estado, Lerner afirmou que só trataria de ministério ‘‘se FHC tocasse no assunto’’. ‘‘Acho indelicado me antecipar porque se trata de uma prerrogativa do presidente’’, afirmou Lerner, em Curitiba, antes de embarcar para Brasília. Segundo o porta-voz, o governador irá retomar o assunto ‘‘no momento oportuno’’ para engrossar a reivindicação de lideranças de vários partidos para que o Estado seja representado em Brasília.
Segundo Hudson José, a audiência de Lerner foi, na realidade, uma apresentação do plano de ajuste do Estado apresentado à imprensa de manhã, no Palácio Iguaçu. O porta-voz disse que o governador levou cópia das propostas e fez uma explanação ao presidente, afirmando que a redução de gastos é ‘‘uma resposta do governo do Estado às medidas de ajuste anunciadas pelo governo federal’’. O presidente teria elogiado a iniciativa do governador e dito que o Paraná é o primeiro Estado a apresentar um conjunto de medidas que atendem à nova situação do País.
Lerner também aproveitou a audiência para pedir o apoio do presidente junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para garantir a criação do Fundo de Previdência, que depende do aval do BNDES para avalizar a securitização das ações de estatais do Estado. Essas ações entrariam como garantia na constituição do Fundo e essa garantia precisa ser aprovada pelo BNDES. O presidente teria dado seu aval à iniciativa. Hoje, às 11 horas, Lerner detalha o plano de ajuste e a criação do Fundo de Previdência para a diretoria do BNDES, na sede do banco, no Rio de Janeiro.

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