Os quatro técnicos do Ministério da Saúde que chegaram a Londrina em 13 de junho terminaram na última quarta-feira a auditoria nas contas da Secretaria Municipal de Saúde, cujo objetivo era apurar eventuais desvios de recursos federais do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados aos programas que eram executados pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) Gálatas e Atlântico.
O setor de auditoria do Ministério da Saúde no Paraná não informou a quais conclusões os técnicos chegaram. ''Eles retornam para Curitiba e vão fazer o relatório do que apuraram'', explicou uma funcionária que preferiu não ser identificada. Em seguida, o relatório será encaminhado à Secretaria de Saúde e, se houver irregularidades, aos órgãos competentes para punir os responsáveis. Não há prazo para conclusão do relatório.
O pedido de auditoria ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) foi feito em 20 de maio pelo Conselho Municipal de Saúde, depois que dois conselheiros - Joel Tadeu Correa e Marcos Ratto - foram presos acusados de corrupção pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que deflagrou a operação Antissepsia em 10 de maio. Vinte e três mandados de prisão foram expedidos e 21 pessoas foram presas.
Os contratos com os dois institutos, para executar o Programa Saúde da Família (PSF), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Policlínica e Serviço de Internação Domiciliar (SID), somavam cerca de R$ 13 milhões e, segundo investigação do Gaeco, parte dos recursos foi desviada por meio da emissão de notas frias, ou seja, sem a prestação dos serviços; outra parte teria ido para os bolsos de agentes públicos que exigiam propina dos institutos. O ex-procurador jurídico da prefeitura, Fidélis Canguçu, por exemplo, segundo investigação do Gaeco, teria recebeido R$ 115 mil em propina e havia a promessa de pagamento de mais R$ 600 mil, caso o esquema tivesse continuado.
O esquema de corrupção no Instituto Gálatas resultou em ação penal em que 15 pessoas são rés. Quanto ao Instituto Atlântico, o MP ajuizou ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito Barbosa Neto (PDT), sua mulher, Ana Lino Barbosa, o secretário de Planejamento, Fábio Passos de Góes, o presidente do instituto, Bruno Valverde Chahaira, além de diretores e colaboradores da Oscip. As irregularidades nesta entidade também renderam inquérito contra Barbosa, que tramita no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, em razão do foro privilegiado do prefeito. Barbosa nega as acusações.

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