Apucarana - O prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PMDB), negou ontem que a administração municipal tenha fraudado a licitação para a compra de um ônibus para atendimento médico e odontológico, em 2002, mas não deu a mesma garantia quanto ao ex-deputado federal, Joaquim dos Santos Filho, autor da emenda parlamentar que liberou R$ 80.808 do orçamento federal, e a empresa Santa Maria Comércio Ltda, que é acusada de integrar o esquema das sanguessugas.
O município de Apucarana foi citado pelo empresário Luiz Antonio Vedoin, um dos sócios da Planam - controladora da Santa Maria - e responsável pelas denúncias de pagamento de propina a parlamentares e prefeitos para apresentação de emendas de saúde e direcionamento de licitações públicas. No interrogatório de nove dias prestado na 2 Vara da Justiça Federal do Mato Grosso, Vedoin disse que teria sido beneficiado com quatro emendas do então deputado federal Joaquim dos Santos Filho para aquisição de unidades móveis em Apucarana, Araucária, Carambeí e Castro. Todas as emendas eram de 2002 e seriam de um valor total de R$ 133,3 mil. As quatro licitações teriam sido executadas por Vedoin, que teria pago de comissão um total de R$ 25 mil antecipados e outros R$ 30 mil em dinheiro após a execução para o próprio parlamentar.
Pegorer nega que tenha se beneficiado de alguma forma com o esquema dos sanguessugas e mostrou à Folha cópia de auditoria do Ministério da Saúde aprovando a prestação de contas do convênio com a União, datada de 2003. ''Aqui não tem irregularidade, não é do nosso 'metier'. O que a empresa e os parlamentares fizeram, se levaram vantagem, eu não sei, mas na prefeitura de Apucarana não há corrupção'', declarou Pegorer. O prefeito disse que não entrou em contato com o ex-deputado Santos Filho, após a divulgação das denúncias, para cobrar explicações. ''Mas acho que devia fazer'', afirmou.
O prefeito afirmou também que a citação de Apucarana no depoimento do proprietário da Planam ocorreu por coincidência. ''Acredito que ele tenha falado de todos os municípios que negociou, aquelas onde houve problema e as outras em que tudo foi normal. Eu não conheço o empresário e me preocupei, na época, em verificar a legalidade dos documentos da empresa'', disse.
Sobre o processo licitatório, o prefeito disse que a administração municipal entrou com contrapartida de R$ 16.161 e que, após a compra, sobrou um saldo de R$ 1.212 - devolvido para o governo federal. Ele também afirmou que os recursos federais enviados para Apucarana chegaram a R$ 80.808 - valor inferior ao mencionado pelo empresário da Planam.
Valter Pegorer prometeu enviar, na próxima semana, cópia da licitação vencida pela Santa Maria à Polícia Federal (PF), Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal. O ex-deputado federal, Joaquim dos Santos Filho declarou à Folha no final de julho que não recebeu propinas do esquema liderado pelo empresário Vedoin. (F.C./Colaborou Luciana Pombo).

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