Brasília - O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva apresentou o ministério que irá empossar com o carimbo de definitivo e a observação de que o tempo de permanência de cada ministro no governo dependerá da competência pessoal no exercício da função. Nos bastidores do PT e de partidos aliados, porém, há quem avalie que a equipe ministerial não agregou novos apoios no Congresso e que, exatamente por isto, fica sujeita a alterações pontuais futuras. Por este raciocínio, feito sempre com a devida cautela de não enfraquecer a equipe como um todo, o ministério tem validade garantida de apenas seis meses. Uma referência ao período classificado como sendo de lua-de-mel do novo governo com a opinião pública nacional, tempos em que o Congresso normalmente não ousa contrariar a vontade popular.
Até os que aprovaram a decisão presidencial de deixar o PMDB fora do governo, contrariando o que pregava o articulador político e ministro indicado da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), partilham da tese de que o governo Lula terá um segundo tempo que poderá exigir mudanças na equipe. Na avaliação destes setores, pelo menos nos primeiros seis meses o novo governo terá o apoio de parlamentares do PMDB e PSDB, independentemente de cargos. O tempo de lua-de-mel é também o prazo de que o presidente precisa para se articular com os novos governadores, encaminhar a solução de alguns problemas regionais e, a partir daí, montar sua base de sustentação política no Congresso.
''O presidente Lula está absolutamente correto em não fechar nada com o PMDB ou o PSDB agora, porque o cenário não está claro'', diz o deputado eleito Sigmaringa Seixas (PT-DF), em defesa da tese de que não se monta uma base de sustentação política fazendo previsões de cenários. ''Seria um equívoco trazer o PMDB baseado em exercícios de futurologia'', opina o petista.

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