O Ministro do Trabalho e Emprego, Paulo Jobim Filho, afastou ontem do cargo o delegado Regional do Trabalho do Paraná, Celso Soares da Costa, por 60 dias ou até que sejam apuradas as denúncias de irregularidades atribuídas ao delegado. Costa está preso desde terça-feira no Centro de Triagem, em Curitiba, acusado de fraudar uma licitação na extinta Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb).
Através da portaria 369, que deve ser publicado hoje no Diário Oficial, o ministro também designou o delegado substituto da DRT, Carlos Alberto Klamas, para assumir interinamente o cargo. E determinou ao secretário executivo do Ministério, Paulo Machado, a instauração de procedimento disciplinar. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério, além da denúncia que resultou na prisão de Costa, o procedimento disciplinar deve averiguar as acusações de irregularidades na fiscalização da DRT no Estado, feita pelo Sindicato dos Trabalhadores no Setor Moveleiro de Arapongas.
Conforme a denúncia do Ministério Público de Londrina, Costa teria falsificado assinaturas e carimbos nos protocolos de empresas. O objetivo foi a formulação de propostas que beneficiariam a Celta System, de sua propriedade, na licitação aberta para a criação de um programa de computador para controle de multas no valor de R$ 49 mil. Segundo o MP, o programa nunca foi entregue.
''A denúncia é totalmente frágil e distoante da realidade fático jurídica'', afirmou o advogado de Costa, Adolfo Góis. ''Quanto a acusação de falsidade há laudo conclusivo no Instituto de Criminalística que afirma contundentemente que nenhuma daquelas assinaturas falsas teriam partido do Celso Costa.'' A promotora de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin, disse que não se manifestará sobre as declarações do advogado.
Klamas foi diretor da Comurb entre 98 e 99, e deverá enfrentar dificuldades ao assumir a direção da DRT. ''A assembléia de ontem (quarta-feira) da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho (AAFT) definiu que não deverá aceitar qualquer delegado ligado ao grupo do Celso Costa, ou seja o Klamas e outros'', adiantou o vice-presidente da associação, Luiz Felipe Bergmann. ''
A Folha apurou que existe a possibilidade de paralisação das atividades da DRT. Klamas não foi localizado.

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