Minirreforma pode corrigir 'arestas'
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sábado, 03 de abril de 2004
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília O novo ministério mal completou dois meses, mas setores do Palácio do Planalto e do governo já apostam que vem aí uma minirreforma ministerial. Ministros e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalham, nos bastidores, com o cenário de mudanças pontuais na equipe depois das eleições municipais de outubro por vários motivos.
Além de corrigir a ineficiência eventual em uma ou outra área, as mudanças também serviriam para aparar arestas da sucessão do Congresso e administrar sequelas políticas da disputa entre os aliados pelas prefeituras do todo o Brasil.
A despeito da insatisfação do PP e do PTB, que ainda reclamam posições no primeiro escalão, a idéia de apelar para trocas eventuais na equipe cresceu esta semana no embalo das dificuldades em torno da sucessão da Câmara e do Senado. O assunto entrou em pauta porque o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), fechou um acerto com os aliados para apressar a votação da proposta de emenda constitucional que permite a reeleição no Congresso.
A proposta só será votada na comissão especial da Câmara em três semanas, mas já está tumultuando o PMDB, rachando o PT e dividindo o Planalto. A confusão instalou-se porque o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), decidiu cobrar de público o acordo firmado entre as cúpulas do PMDB e PT, com o aval do atual presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP). Pelo acordo, Renan abriria mão de disputar a presidência do Senado com Sarney o que de fato ocorreu , para sucedê-lo pacificamente a partir do ano que vem. Preferido de Lula, Sarney tinha vitória garantida no plenário do Senado, mas a retirada de Renan foi útil para não rachar o partido e não expor o Planalto, forçando-o a se intrometer na sucessão de outro Poder.
Com o caso Waldomiro Diniz e a sucessão de crises políticas que afligem o governo especialmente no Senado, onde a maioria governista é mais frágil, a tese da reeleição ganhou força junto a Lula, que tem contado com as rédeas firmes de Sarney no comando do Congresso.
O problema é que Renan tem maioria na bancada de senadores do PMDB e a solidariedade do comando petista e do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT), que também participou do acordo. ''Como nós temos que administrar uma crise por semana neste Senado, tudo o que não precisamos é de um PMDB rachado'', diz a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ao explicar o porquê de sua bancada ter fechado questão contra a reeleição. Na Câmara presidida pelo petista João Paulo, a grande maioria da bancada pensa o inverso. Mas há também quem resista à idéia.
''Essa briga toda só vai acabar na reforma ministerial'', aposta um importante ministro político, certo de que a saída ideal é compor com Renan em função de seu projeto político de chegar ao governo de Alagoas em 2006. Não que o líder só chegue lá com a ajuda do governo federal, mas que o ''empurrão'' de um ministério pode lhe ser mais útil do que uma presidência de Senado.
Segundo o ministro, a mesma sucessão de crises alegada pela líder petista vale para justificar a permanência de Sarney à frente do Congresso. Na visão de Lula, o ex-presidente da República é um símbolo importante de governabilidade para o País.
Líderes petistas querem ver a eficiência acima da composição política em qualquer mudança ministerial. ''Se há algum quadro competente do PP, PTB ou PMDB para substituir algum gestor que não está dando conta do recado, a hora é agora; não há porque esperar a eleição municipal passar'', diz o vice-líder petista Paulo Bernardo (PR). ''Mas o critério tem de ser o sucesso administrativo, e não a acomodação de aliados.''


