Curitiba - Depois de quatro dias de palestras de entidades que representam os trabalhadores, os deputados estaduais ouviram ontem os argumentos da Associação Comercial do Paraná (ACP) e da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Paraná (Faciap) sobre a implantação do salário mínimo regional de R$ 437. E o tom usado foi duro. As duas entidades se posicionaram contra o aumento com base no argumento que não se gera distribuição de renda com decreto legislativo e que a medida pode trazer sérios problemas à economia do Estado. As entidades afirmaram que o momento é eleitoral e por isso o projeto tem mais cunho político do que econômico e social.
''Este assunto deve ser visto sem paternalismo, sem demagogia ou outro sentimento que não seja uma análise racional das circustâncias. Sob a ótica da racionalidade econômica os aumentos reais de salário apenas têm justificativa quando sustentados por ganhos de produtividade do trabalho'', afirmou o presidente da ACP, Cláudio Slaviero, ao defender que a economia do Brasil e do Paraná não está crescendo. O presidente da ACP afirmou que a medida será ''custeada ou pela via do estreitamento ou da diminuição das margens de resultado do capital investido, que já são exíguas''. ''Pode comprometer a geração de empregos'', enfatizou. Para Slaviero, ao contrário do que ''propagam em discursos sem fundamentação lógica'' este projeto atingiria negativamente as pessoas de menor renda.
Tanto Slaviero quanto o presidente da Faciap, Cláudio Nogaroli, defenderam que o ambiente econômico brasileiro penaliza o setor privado pelo alto custo de capital e da excessiva carga tributária. ''A questão é romper as causas estruturais que fazem o salário mínimo tão baixo no Brasil e não fazer demagogia com algo tão sério'', salientou o presidente da ACP. Slaviero ainda questionou como que se vai implantar um salário maior em um Estado que teve crescimento de apenas 0,3% em seu PIB em 2005, como é o caso do Paraná.
Nogaroli afirmou que além de não ser o momento econômico adequado para a implantação de um salário maior, ''o salário mínimo nunca esteve tão alto e o real tão valorizado''. ''O último aumento do mínimo no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi de R$ 8. Com esse valor, na época, dava para comprar apenas três quilos de frango. Hoje com R$ 50 se compra 50 quilos de frango'', comparou o presidente da Faciap.
Apesar dos argumentos da classe patronal, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), já anunciou que a medida deve ser aprovada facilmente na Casa uma vez que a votação, que está marcada para o dia 3 de maio, é nominal. No entanto, Slaviero e Nogaroli, assim como já havia dito o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, ameaçaram entrar na Justiça. ''No mínimo vamos exigir então que a medida valha para todas as classes de trabalhadores, inclusive os servidores públicos'', afirmou Slaviero.

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