Curitiba - Depois de muita discussão e uma reunião que durou quase cinco horas, trabalhadores, empresários e o governo do Estado chegaram a um consenso sobre o reajuste do salário mínimo regional. O aumento será de 6,9% e, com isso, acaba repondo praticamente só a inflação. Os trabalhadores queriam 14,34%, dos quais 6,04% seriam a reposição do índice inflacionário e 8,3% equivaleriam ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná. Os sindicatos patronais tinham oferecido inicialmente 4,5%.
Mas, as centrais sindicais só aceitaram o reajuste de 6,9% depois que tiveram o compromisso por parte do governo do Estado de discutir uma política de reajuste do mínimo. A exigência dos trabalhadores é que esta política seja definida em um prazo máximo de 120 dias depois que o novo salário entrar em vigor em 1º de maio. Esse encaminhamento será realizado por uma comissão tripartite formada por trabalhadores, empresários e governo. A discussão teve muitas divergências e o acordo foi fechado sem a concordância da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR).
Antes mesmo que o acordo estivesse concluído, o secretário estadual de Trabalho, Luiz Claudio Romanelli, tinha anunciado que as partes tinham conseguido avançar e que o reajuste ficaria em 6,9%. Depois, disso o assunto voltou à mesa de discussão. Os trabalhadores queriam garantias não apenas do reajuste do salário, mas de uma política de aumento para os próximos anos e, condicionaram o fechamento do acordo a esta cláusula.
Com o aumento, o mínimo ficará entre R$ 708,74 e R$ 819,00, dependendo de cada faixa que faz parte cada categoria de trabalhadores. O reajuste atinge cerca de 350 mil paranaenses de categorias sem sindicato ou convenção coletiva de trabalho.
No entanto, apesar de não atingir diretamente um número maior de trabalhadores, o aumento do mínimo foi muito discutido porque o índice deve influenciar e servir como uma espécie de referência para as negociações coletivas que acontecem no Estado.
A previsão de Romanelli é que o assunto seja levado para o governador Beto Richa ainda nesta semana e, em seguida encaminhado à Assembleia Legislativa para votação. Ele acredita que a votação aconteça na primeira semana de abril. O reajuste deve entrar em vigor em maio.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná e coordenador do Conselho Temático de Assuntos Legislativos, Sebastião Martins Junior, disse que não há porque manter o salário mínimo regional do Paraná como é atualmente, o maior do País. Um reajuste muito alto, segundo ele, poderia inibir até a vinda de novos investimentos para o Estado. Ele defende que fosse realizada uma negocição a cada ano sem a definição de uma política de aumento até porque os cenários econômicos mudam muito.
O presidente da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa, acredita que ocorrerão ainda muitas discussões até definir a política do mínimo. As centrais queriam mais tempo para avaliar a proposta, mas não foi possível. ''O governo está aliado aos empresários. Isso é jogar o piso em uma grande aventura para os trabalhadores'', declarou. Segundo Romanelli, a discussão da política de aumento terá a participação do Ministério Público do Trabalho e da Superintendência Regional do Trabalho e com base em estudos técnicos do Observatório do Trabalho.

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