Leandro Donatti
De Curitiba
O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, disse ontem em Curitiba que a fixação do salário mínimo em R$ 151,00 e não em R$ 180,00, anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante a semana, não desune PSDB e PFL, partidos da base de sustentação do governo federal. O ministro está confiante na aprovação do projeto de lei complementar que dá poderes aos governadores para fixar livremente pisos salariais superiores ao mínimo nacional. Segundo o ministro, as diferenças entre os dois partidos – o PFL defendia um salário mínimo maior – foram superadas justamente com a instituição do piso estadual.
Pimenta da Veiga participou da convenção estadual do PSDB. Assim como o ministro, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda; e o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado, acreditam na aprovação tranquila do projeto de lei complementar. ‘‘Na linha da responsabilidade fiscal, eles (PFL) vão apoiar’’, declarou José Roberto Arruda. ‘‘O PFL vai poder dar mínimo maior onde bem entender. O governo federal não fechou um mínimo maior para não colocar em risco a estabilidade econômica. O nosso compromisso é com o desenvolvimento’’, assinalou Sérgio Machado. O líder do PSDB no Senado lembrou ainda que partidos como PMDB, PPB e PTB já fecharam questão quanto ao mínimo, o que facilita a aprovação da lei complementar no Congresso.
Os tucanos da cúpula nacional estavam com o discurso afinado ontem. Pimenta da Veiga também bateu na tecla de que o governo e o PSDB estão preocupados com a estabilização econômica, razão pela qual não se fixou mínimo maior. ‘‘Não podíamos decretar um salário mínimo ilusório, senão o presidente perderia o rumo’’, saiu em defesa. O ministro das Comunicações fez ainda uma promessa na passagem pelo Paraná: ‘‘os salários subirão na medida em que o País crescer, se desenvolver’’. Pimenta da Veiga disse que é necessário que o Brasil retome o desenvolvimento. Só assim é que o governo poderá bancar um mínimo maior. ‘‘Nós sabemos que o mínimo não é grande’’, reconheceu. O ministro disse estar confiante no crescimento econômico do País, na ordem de 7% a 8%, conforme os seus cálculos.
Pimenta da Veiga descartou a possibilidade das discussões travadas entre PSDB e PFL, em torno do novo mínimo, refletirem nas eleições municipais deste ano. José Roberto Arruda também concordou com o ministro. Na opinião do líder do governo no Senado, o efeito será ‘‘positivo’’. ‘‘Os governadores ficaram liberados agora para fixar o mínimo que bem entenderem. Se o governador do Paraná, por exemplo, que é do PFL, quiser, pode fazê-lo sem impedimentos’’, considerou. José Roberto Arruda disse que ‘‘é muito fácil fazer o discurso em prol do aumento’’. ‘‘O difícil mesmo é cumprir a medida.’’ A alfinetada do senador não foi endereçada apenas para o PFL, mas também para o PT, que junto com pefelistas, defende um mínimo nacional maior. ‘‘O Olívio (Dutra) também poderá implantar um piso regional’’, ressaltou.
Sérgio Machado também deu algumas declarações mais picantes sobre o tema. ‘‘Não é certo fazer cortesia com o chapéu alheio’’, insinuou. Para o senador, a fixação de um mínimo maior, neste momento, significaria mais sacrifícios em cima das ‘‘camadas mais pobres’’. ‘‘Um mínimo irresponsável geraria inflação. É por isso que estamos votando com tranquilidade.’’
Sérgio Machado classificou como ‘‘normal’’ a vaia recebida pelo presidente Fernando Henrique anteontem, numa praça pública em Mossoró (RN). O presidente perdeu a voz ao revidar os ataques dos manifestantes. ‘‘Isso faz parte da democracia. O que não podemos neste momento é colocar em risco as conquistas já obtidas. E o PSDB, como partido, entende muito bem isso’’, argumentou.Para ministro das Comunicações, não concessão de valor maior não racha base porque Estados poderão ter piso livre
Kraw PenasARGUMENTOPimenta da Veiga, ontem em Curitiba: ‘‘Não podíamos decretar um mínimo ilusório, senão o presidente perderia o rumo’’