Brasília - A equipe econômica venceu a disputa para a definição do novo salário mínimo, praticamente fechado em R$ 260. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só está esperando o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, voltar amanhã dos Estados Unidos para anunciar o valor, que vai vigorar a partir de 1º de maio. No mesmo pacote, Lula também incluirá o aumento do salário-família, que deverá passar dos atuais R$ 13,48 para R$ 25 por filho.
''É bem menos do que eu gostaria, mas não tem jeito'', lamentou Lula em conversas reservadas com petistas, ontem, em São Bernardo do Campo. Os ministros da área social, política e de infra-estrutura do governo defendiam R$ 270, fora o reajuste do salário-família. Ainda ontem, alguns se queixavam nos bastidores da decisão do presidente de priorizar a ''ortodoxia fiscal''. Na campanha de 2002, Lula prometeu dobrar o poder de compra do mínimo em quatro anos, fato hoje considerado impossível pelo Planalto.
Na tentativa de minimizar o impacto do pífio aumento do salário mínimo apenas 1,5% acima da inflação , o governo também divulgará, ao longo desta semana, uma série de medidas que compõem a tão propalada ''agenda positiva'', por enquanto só no papel.
Depois do pito de Lula, que cobrou o uso dos recursos já previstos no Orçamento, os ministros Olívio Dutra (Cidades) e Humberto Costa (Saúde) lançarão hoje o Projeto de Saneamento Ambiental em Regiões Metropolitanas. Garantem que, para a sua execução, gastarão R$ 400 milhões do orçamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
A iniciativa será ''vendida'' como um investimento que, além de melhorar os serviços de abastecimento de água e esgoto, possibilitará a geração de 100 mil empregos em 371 municípios. Na semana passada, a Agência Estado informou que nos cem primeiros dias deste ano a equipe de Lula gastou apenas 0,85% dos recursos reservados para o setor de saneamento.
O governo também vai mexer no Primeiro Emprego, que hoje tem resultados aquém do esperado. Até agora, o programa só funcionou nas capitais e regiões metropolitanas. Pelos números do Ministério do Trabalho, empregou apenas 707 jovens com carteira assinada. Na lista das mudanças previstas está a antecipação da subvenção financeira feita pelo governo às empresas. Atualmente, esse repasse é feito apenas após dois meses da contratação.
Em mais uma tentativa de neutralizar o baixo valor do mínimo, o próprio Lula destacou ontem que quer investir em capacitação profissional. Sua idéia é dobrar o número de recrutas convocados pelo Exército de 50 mil para 100 mil, desde que o critério de escolha seja o de requisitar o serviço de adolescentes de grandes centros urbanos, que, na avaliação do presidente, estão mais perto da violência e do narcotráfico.

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