Mínimo do PR injetará R$ 17 bi na economia
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A proposta do governador Roberto Requião de implantar um salário mínimo de R$ 437 no Paraná pode trazer uma injeção mensal para a economia do Estado de R$ 16,5 milhões com o pagamento de trabalhadores domésticos e não organizados. Segundo o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, esse seria o impacto máximo estimado para a economia do Paraná.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), Roni Anderson Barbosa, estima que cerca de 200 mil trabalhadores serão beneficiados no Estado caso o projeto seja aprovado, sendo 100 mil domésticos e 100 mil não organizados e formais.
O novo salário regional seria aplicado nas categorias profissionais que não possuem dissídio ou acordo coletivo de trabalho e que não possuem também piso salarial fixado em lei, como os trabalhadores domésticos.
Barbosa vê a proposta como um ''um importante instrumento de distribuição de renda''. Ele acredita que o Estado tem uma condição econômica boa para atingir este valor de salário mínimo. Mas, ressalta que o projeto tem deficiências porque não beneficia os servidores públicos estaduais. ''O governo do Estado não dá o exemplo na sua própria casa com os seus servidores'', alfineta.
Ele defende a criação de um piso salarial para os servidores estaduais que hoje em muitos casos têm um salário base de R$ 228 e tem o valor complementado com abono e gratificação de assiduidade, ambos não incorporados ao salário. A idéia da CUT é tentar incluir os servidores estaduais no novo projeto.
A presidente do Fórum dos Servidores Estaduais, Elaine Rodella, lembra que 11 mil servidores estaduais aposentados recebem salário abaixo de R$ 437 e 5 mil abaixo de R$ 300. O salário de R$ 437 é garantido para a maior parte dos servidores ativos graças às gratificações, não incorporadas ao salário. Segundo ela, ao se aposentarem, estes servidores perdem até 70% do rendimento. Entre os ativos, 10 mil ganham R$ 410, mas voltam para o salário de R$ 228 ao se aposentarem. O Estado tem hoje 115 mil servidores no Paraná ativos e 80 mil aposentados.
O presidente da Paraná Previdência, José Maria Correia, disse que não é verdadeira a informação que os servidores perdem até 70% do rendimento ao se aposentarem. ''Muitos dos servidores estão contemplados com a paridade e são poucos os casos de pessoas com salários menores'', afirmou. Segundo ele, a média das aposentadorias do Poder Executivo do Estado é de R$ 1.505.
Para a presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, Marisa Stédile, o salário regional passaria a ser um balizador para as categorias organizadas. Ela não acredita em desemprego com a entrada em vigor do salário regional. Já o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Slaviero, acredita na possibilidade de demissões e no aumento da informalidade. ''O ideal seria ter um salário maior ainda, mas a economia não está sustentável. O comércio, a indústria e o setor de serviços não vão conseguir bancar o salário. Este valor pode criar uma pressão inflacionária', ressalta.


