Curitiba - O senador Osmar Dias (PDT), pré-candidato a governador do Paraná nas eleições de outubro próximo, rechaçou ontem as declarações do presidente estadual do PT, Ênio Verri, que criticou a demora e as condições impostas pelo pedetista para a consolidação de uma aliança com a legenda do presidente Lula (PT). Em entrevista à FOLHA, Osmar afirmou que a conversa sobre a possibilidade de uma aliança ''não começou com Verri e não vai terminar com Verri'': ''Minha conversa começou com Lula e vai acabar com Lula. Já tive muitas conversas com o Lula e pouquíssimas com o Verri, nenhuma que tenha tido relevância'', atacou ele. Para o senador, Verri estaria ''brincando com coisa séria'': ''O gracejo dele não tem importância para mim''.
Anteontem, irritado com o cancelamento de uma reunião entre os comandos do PT e do PDT, marcada inicialmente para consolidar a aliança que vem sendo tratada há quase um ano, Verri sugeriu o fim do ''namoro'' entre as legendas e até anunciou que seu partido poderia priorizar agora a candidatura própria. Verri declarou ainda que Osmar ''demora muito para tomar decisões simples'' e que não entendia a insistência do PDT no nome de Gleisi Hoffmann (PT) para ser candidata a vice-governadora do Estado na chapa, já que a correligionária estava certa para a disputa ao Senado.
Osmar disse que em novembro do ano passado sua legenda colocou ao PT quais eram as condições para uma aliança, uma delas incluia Gleisi Hoffmann de vice na chapa. ''A Gleisi soma porque traz a Região Metropolitana de Curitiba e me dá a garantia que o PT vai comigo na eleição'', disse Osmar, ao lembrar que, na eleição de 2006, o então petista e candidato ao governo do Estado Flávio Arns (hoje senador pelo PSDB) não recebeu o apoio da militância, que estava concentrada na eleição da então candidata do PT ao Senado, Gleisi Hoffmann.
Osmar também reconhece que, com Gleisi na vice, a aliança abriria espaço para o PMDB de Roberto Requião e para o PP de Ricardo Barros. Ambos querem uma vaga ao Senado. ''Eu não acho justo que o PP, um partido que ficou sete anos na base do governo Lula, seja agora liberado para apoiar o PSDB.'' O senador disse que confia no presidente Lula, que teria dito que se esforçaria para unir os partidos da base federal na aliança regional.
''A Gleisi é obediente ao partido e eu espero que o PT reflita. Fizemos uma proposta republicana, civilizada e política e esperamos do PT uma resposta igual'', continuou ele. Questionado se haveria um prazo para o PT se posicionar, Osmar respondeu que sim: ''Eu tenho na minha cabeça uma data limite, ms prefiro não dizer qual é''.

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