Até maio de 98, quando se encerra o período das convenções que vão homologar os nomes dos candidatos às eleições, Minas Gerais, o segundo colégio eleitoral do País, poderá ser o céu ou o inferno da candidatura à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Desde que o tucano Mário Covas decidiu não disputar a eleição do ano que vem, é na política mineira que Fernando Henrique terá de alavancar sua reeleição. Afinal, foi em Minas que o presidente alcançou a maior vantagem de votos sobre os adversários na eleição de 1994, mais de dois milhões.
Mas, hoje, o PSDB mineiro está vivendo uma situação pouco confortável. A culpa é do tucano Fernando Henrique. O partido detecta no Palácio do Planalto uma articulação para dissuadir o ex-presidente Itamar Franco a disputar novamente o cargo, sob o guarda-chuva do PMDB, empurrando-o para a disputa ao governo do Estado. O partido sente-se exposto. A leitura é a seguinte: para Fernando Henrique, tanto faz se o candidato ao governo de Minas for Itamar ou o atual governador, Eduardo Azeredo. O que importa é sua própria reeleição.
Fernando Henrique conquistará com um pouco menos de trabalho os votos do Estado para a sua reeleição, e com isso irá ao céu, caso Itamar mais uma vez surpreenda, candidatando-se ao Senado ou simplesmente abandonando a política, como quer sua família. Este é o sonho de todo tucano. Não seria bom para FH ter dois palanques em Minas em 1998, como ocorreu em 1994, quando frequentava o palanque do PSDB e do PFL. Mas isso poderá ocorrer. Nada é carta fora do baralho para ganhar votos do segundo colégio eleitoral brasileiro que, em 1994, tinha mais de 10,5 milhões de eleitores.
O vice-governador do Estado, Walfrido dos Mares Guia (PTB), há quatro meses anunciou que vai concorrer a uma vaga de deputado federal. Mares Guia, naquela época já informava que o candidato natural do partido é o ex-governador Hélio Garcia. Já Azeredo não comenta eleição até o próximo ano, mas uma coisa é certa: o governador não disputa a eleição contra Hélio Garcia, seu criador e porto de sutentação. Azeredo se elegeu com 58,6% dos votos válidos da eleição em Minas, mas hoje fica não em situação confortável nas pesquisas de opinião quando os adversários são Itamar Franco e Hélio Garcia.
Com isso, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Romeu Queirós, filiado ao PSDB, começou a procurar espaço e apoio para a sua candidatura. Queirós integra o grupo que em Minas é chamado de PSDB do Hélio. Convocou reuniões e estabeleceu conversas com todos os partidos. Com isso, formalizou um elo com a centro-esquerda. Reuniu-se com caciques do PT mineiro e convidou um deles, o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias, para integrar uma chapa de coalização no Estado. A idéia de Queirós é criar em nível estadual a articulação que elegeu o atual prefeito mineiro, Célio de Castro (PSB).
Queirós tergiversa e diz que trabalha uma possível aliança com a centro- esquerda, porém pensando no nome de Hélio Garcia.

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