Arquivo FolhaBons amigosItamar Franco: ainda sem definição, mas se concorrer ao governo, terá o apoio do presidente Fernando Henrique Na campanha pela reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá adotar, em Minas, a mesma estratégia do último pleito. Em 1994, ele apoiava dois candidatos à sucessão estadual - o colega de partido Eduardo Azeredo (PSDB), que saiu vitorioso, e o ex-repórter de televisão Hélio Costa (PFL), que pela segunda vez disputava o cargo. Ambos representavam partidos integrantes da aliança nacional que o levou ao Palácio do Planalto. Para evitar constrangimentos, Fernando Henrique não subiu nos palanques de nenhum dos dois, mas também não dispensou o apoio que eles deram à sua própria candidatura.
‘‘No ano que vem, tudo indica que o presidente terá de recorrer de novo a este expediente, no Estado’’, diz o analista político Marcos Coimbra, presidente do Instituto de Pesquisas Vox Populi, de Belo Horizonte. ‘‘Só que, desta vez, os dois candidatos ao qual ele estará vinculado devem ser Azeredo, que provavelmente irá tentar a reeleição, e um outro nome do PMDB, partido que tem dado demonstrações sucessivas de apoio ao governo federal’’, acrescenta. No PMDB mineiro, os nomes mais cotados são os do ex-presidente Itamar Franco e do ex-governador e atual prefeito de Contagem Newton Cardoso.
Filiado ao partido recentemente, Itamar ainda não decidiu se irá concorrer ao governo estadual ou ao Palácio do Planalto. Caso faça a primeira opção, certamente terá o apoio do presidente. Newton Cardoso, que já manifestou a intenção de retornar ao Palácio da Liberdade, tornou-se, nos últimos meses, forte aliado de Fernando Henrique. Tudo porque ele controla a maioria da bancada peemedebista mineira no Congresso, formada por 12 parlamentares.
Em troca de um eventual apoio do Planalto na eleição estadual, convenceu seus aliados a votarem a favor de temas caros ao presidente, como o projeto de reeleição e as reformas constitucionais. No início deste ano, parlamentares do PSDB mineiro, como o deputado federal Ademir Lucas, ex-prefeito de Contagem e inimigo de Newton Cardoso, ficaram enciumados com os seguidos encontros entre o ex-governador e o presidente.
A bancada tucana ameaçou romper com Fernando Henrique, que passou a prestigiar mais Azeredo e colocou panos quentes na crise, pelo menos temporariamente. Em relação ao PFL, que também compõe a aliança nacional de sustentação a Fernando Henrique, a situação, nas próximas eleições, deverá ser mais tranquila para o presidente que há três anos, segundo avalia Marcos Coimbra.
Isto porque, embora a cúpula do partido no Estado - representada, em grande medida, pelo senador Francelino Pereira - queira lançar candidato próprio à sucessão de Azeredo, a base tende a apoiar o atual governador na reeleição e manter a coligação que o conduziu ao Palácio da Liberdade. Ao mesmo tempo, praticamente todos os pefelistas estariam fechados com o presidente, na reeleição. ‘‘Este cenário é o mais provável, mas nada impede que haja definição por um nome do partido, concorrendo com Azeredo e também pleiteando o apoio do presidente’’, diz Coimbra.

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